sábado, 31 de janeiro de 2009

Suspeita

Os elementos de suspeição têm um caráter altamente subjetivo, variável e impreciso, mas o tirocínio policial é capaz de torná-los fáceis de se estabelecer e reconhecer em meio a aglomerações. Na realidade soteropolitana, com destaque para eventos musicais como o Festival de Verão, a varredura ótica do policial atento é capaz de identificar mudanças de comportamento imediatas por parte dos que percebem de relance a aproximação da polícia. Mudanças bruscas de rumo, olhadela furtiva, dispensa imediata de objetos, ocultação de pertences nos bolsos... A aparentemente simples retirada de um boné muitas vezes traz consigo uma tentativa de "mudança de identidade", alteração imediata da fisionomia que dificulta o reconhecimento de algum acusado com base nas características passadas sobre suas vestes - também a retirada de camiseta faz parte desse expediente. São aprendizados que só o tempo e a real vontade e interesse trazem ao policial, elevando a qualidade do serviço prestado. Por vezes um cidadão apressadamente supõe que seja alvo de algum preconceito, ou esteja sendo abordado sem critério algum, mas em diversos casos, por trás da seleção prévia, há fatores técnicos meticulosamente avaliados para estabelecer quem se apresenta em comportamento suspeito, fugindo do rótulo de pessoa suspeita.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Mínimo

Entra em vigor no próximo domingo (1º) o novo salário mínimo, que passa de R$ 415 para R$ 465. Como aqui não é site de economia, o interesse seria em saber como, se é que acontece, um fato deste pode influir na criminalidade. Será que há oscilação significativa no cometimento de delitos em virtude dessas alterações, como aumento salarial, ou ainda queda do desemprego? Ainda não encontrei estudos confiáveis sobre a nossa realidade no que tange a essas questões, mas seria de bom grado mensurar cientificamente a interação dos dados com os registros de crimes, principalmente aqueles contra o patrimônio.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

#1

O registro da primeira morte de policial militar em 2009 é bastante preocupante, devido ao modo como se deu o crime. O SD PM Carlos França Damasceno, da 3ªCIPM/Cajazeiras, recebeu vários tiros de 2 criminosos que utilizaram uma motocicleta para o emboscar enquanto bebia em um bar na localidade Planeta dos Macacos com um primo, por volta das 23h. Os 15 anos de serviços prestados pelo policial foram encerrados de forma trágica, e no instante é forçoso alertar sobre a aparente relação entre o fato em questão e sua aparição, no dia anterior, no programa Na Mira, durante diligência que visava capturar bandido em matagal. Pode ter ficado muito "visado", e diante da maldita oportunidade os marginais não titubearam. Infelizmente a atual conjuntura obriga o trabalhador a evitar certos ambientes, locais, horários e companhias, sob pena de estar exposto a excessivo risco. É uma situação desconfortável viver um estado de sítio em algumas regiões, mas não há como escapar desse alerta constante. A PM adotou providências imediatas visando a captura dos meliantes; um acusado do crime, envolvido com quadrilha do tráfico, acabou tombando em confronto hoje em Lauro de Freitas. O que resta aos demais é fazer seu trabalho com seriedade, cumprindo as obrigações, e revendo hábitos que possam comprometer a segurança pessoal.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Sensações

O trinômio expectativa -> ansiedade -> frustração é extremamente perigoso, talvez mais ainda dentro do ambiente militar. É comum do ser humano falhar na guarda de um segredo, na manutenção do sigilo em relação ao que ainda é suposição, incerteza; e à medida que uma informação imprecisa é difundida, gerando esperança, e posteriormente é negada, substituída por algo inferior, a decepção acaba sendo inevitável. Por isso, desde o comando geral, ao divulgar algo de interesse geral da tropa, ou um soldado mais antigo para os mais modernos em um lonínquo destacamento policial, todos devem ser cautelosos ao citar determinadas hipóteses, já que a não confirmação do desejado inevitavelmente provoca sensações desagradáveis. É difícil, mas temos que pensar mais vezes antes de prometer uma folga, um aumento salarial, qualquer tipo de vantagem ou concessão dependente de variáveis às vezes fora da sua esfera de alcance, que, quando não correspondidas, fragilizam bastante o estreito vínculo de confiança que precisa ser mantido.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Festival

O portal Correio divulga que no Festival de Verão 2134 policiais militares estarão atuando para garantir a segurança da festa particular, onde a polícia pode e deve estar presente, desde que respeitadas e cumpridas as devidas e imperiosas necessidades legais. Assim como no ano passado, conforme comentado aqui no blog, o valor bruto não esmiuça a quantidade em cada dia, tornando o dado um tanto vago, talvez propositalmente, dada a repetição da suposta falha. Dessa vez, a APM estará presente nos 2 últimos dias do evento, apresentando seu serviço tradicionalmente diferenciado, nem melhor nem pior, mas incontestavelmente diferente dos demais.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Inscrição

A tônica do dia não poderia ser outra senão a abertura das inscrições para o novo ciclo de cursos à distância da Senasp, condição essencial para o recebimento do benefício Bolsa Formação, além de imperdível oportunidade de atualizar as informações realizando 1 ou 2 cursos nas diferentes áreas de conhecimento abarcadas pelos tantos cursos disponíveis. Mesmo para aqueles que não têm chances de serem contemplados com o retorno financeiro, vale a pena aproveitar mais essa ocasião para aprender algo de novo, de modo simples e fácil como é praxe nos cursos. A procura tem sido tanta que o site dá sinais de sobrecarga, é bom não perder tempo, afinal as vagas são limitadas e possivelmente esgotar-se-ão antes do término do prazo.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Bala

Bala perdida é um livro do delegado carioca Arthur Correa Cabral que trata sobre temas da criminalidade no Rio de Janeiro, abordando questões do tráfico, crime organizado, ataques a quartéis, caso João Hélio, Tim Lopes e outros assuntos ainda atuais da segurança pública. Narra parte do seu trabalho pessoal de combate ao crime, como no caso dos bailes funk, concluindo a obra com uma lição renovadora de motivação no mister policial. Encontrei por acaso através de uma promoção, valeu a pena ter adquirido.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Pituaçu

O jogo Bahia x Ipitanga, que ocorrerá amanhã no Estadio de Pituaçu, promete ser uma grande festa, tendo em vista a expectativa criada desde a tragédia na Fonte Nova, voltando o clube a ter mando de campo na capital. O público estimado em 20 mil pagantes, aliado a tantos outros que permanecem nos arredores do estádio, aguardou com ansiedade essa festa, adiada por diversas vezes, ameaçada por embargos e entraves judiciais, mas que finalmente vai ocorrer. Realmente gostaria de poder atuar na partida, acompanhando de perto o evento especial diferenciado que ocorrerá, contudo não é possível por motivos alheios à minha vontade. Agora pela manhã o sr Cel PM Carlos Eleutério, do CPC, anunciou em entrevista ao vivo na TV Bahia que estarão envolvidos mais de 700 policiais militares, compondo 63 patrulhas, 25 guarnições, com a inovação de que centenas destes estarão com camisas brancas, uniforme diferenciado, atuando como facilitadores, prestando informações, algo inovador em partidas, ainda não conhecido pela população. Estarão presentes a Rondesp, BPChq, GRAER, EsqdMclÁguia, EsqdPMont e CIPMs da área.

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Uma novidade muito positiva é a a delegacia informatizada para registro de ocorrência que irá funcionar dentro do Estádio de Pituaçu na partida inaugural, algo que sempre fez falta nas demais praças esportivas, com 2 delegados, 6 agentes, 1 escrivão e carro-presídio, para o transporte dos presos. Na sala, 3 computadores estarão conectados ao Serviço de Atendimento Policial (SAP), para registrar queixas de delitos cometidos dentro e nos arredores do estádio. Tomara que dê certo e permaneça em todas as rodadas, conforme está sendo avaliada a possibilidade, facilitando extremamente o trabalho da PM e a segurança do torcedor.

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O planejamento da segurança é realizado por oficiais superiores, em escalão bem acima ao que hoje ocupo; se fosse possível, sugeriria o estabelecimento da meta de reeducar o comportamento do torcedor baiano, não há melhor oportunidade do que na "inauguração" de um novo estádio, tentando banir definitivamente maus hábitos e comportamentos indevidos que se tornaram tradição na Fonte Nova, como ocupar as escadas como se arquibancadas fossem, dificultando o fluxo de pessoas, além impedir insistentemente que urinem fora dos banheiros, prejudicando a higiene e estrutura do local. A teoria das janelas quebradas abarca situações como esta, onde a repressão a pequenos delitos e manutenção constante estabelece um ambiente que desestimula o cometimento de crimes ou a prática de vandalismo. Repetir a permissividade diante dessas condutas seria uma falha, grande oportunidade desperdiçada.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Trabalho

Um dia como qualquer outro na rotina policial baiana: prisões, apreensões, trabalho e sucesso. Para tristeza das levianas acusações de frouxidão recentemente perpetradas pelo jornalista Jolivaldo Freitas, os policiais baianos continuam atuando com bravura e destemor. Basta uma breve consulta aos portais de notícias para darmos conta de que hoje uma quadrilha foi presa com cocaína e maconha em Saramandaia, com 4 homens presos, 1 menor apreendida, e outros 10 integrantes do grupo identificados, envolvidos em roubos e no tráfico de drogas. A Polícia Civil, através de agentes da 28ª Delegacia de Polícia (Nordeste de Amaralina), evitou um crime ao prender 3 bandidos que portavam um revólver e uma espingarda em tentativa de homicídio no Vale das Pedrinhas, sendo que 2 deles tinham passagens por furtos e homicídios. Três homens foram presos sob acusação de roubos e tráfico no Lobato, com eles foram apreendidas 600 pedras de crack, um revólver calibre 38, uma balança e dinheiro. A PM, por sua vez, enfrentou os tiros de traficantes na Invasão da Constituinte, no bairro de Periperi, onde 2 bandidos tombaram em confronto e 1 sargento foi atingido com tiro nas costas, salvo pelo colete balístico que utilizava, o que renova a necessidade do uso constante deste equipamento. Foi apreendido um revólver calibre 38 e uma espingarda de fabricação caseira, sendo encontrados ainda cinco papelotes de maconha e uma quantidade de crack. Ontem a PM gerenciou uma situação de crise envolvendo refém no Dique, dando um desfecho ideal para o caso. É só uma pequena parcela do exemplar e incansável esforço de muitos policiais baianos, que não se abatem diante das covardias ou injustiças que sofrem. Se as delegacias e presídios andam abarrotados e superlotados, com certeza não foi pela rendição voluntária dos presos, mas pelo constante destemor dos homens da lei, que sobem, descem, correm e voam para capturar os males da sociedade.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Feliz

O dia de hoje representa uma glória, o trabalho realizado no Abordagem Policial, irmão mais velho aqui do Blitz Policial, foi laureado com a explanação realizada pelo colega Danillo Ferreira, um dos criadores e mantenedores do projeto, no CampusParty, um evento de grandeza nacional realizado com blogueiros de todo país em São Paulo, com notória repercussão. É um orgulho e tanto ser tão bem representado, seja como participante da iniciativa ou mais além, como policial militar baiano, em um encontro de expressividade que só colabora com a ideia inicial de promover um link entre o policial e a sociedade, discutindo temas da segurança pública aliando a visão da sociedade com a dos integrantes da corporação.
Verdadeiro sucesso, graças ao empenho de todos os colaboradores e participação dos leitores. Excelso!

Infeliz

Asco. Passou despercebido um texto expressando opinião na leitura do jornal A Tarde terça-feira, só hoje tomei conhecimento do conteúdo de um artigo que causa estranheza pelo seu teor. Assinado pelo jornalista e escritor Jolivaldo Freitas, do qual não tenho maiores referências, e entitulado "Polícia e frouxidão", o texto tece pesadas e deselegantes críticas à polícia baiana como um todo, chamando-a de frouxa, dizendo ter chegado a essa conclusão após o recente pronunciamento do secretário de segurança pública. Versa que a polícia tem medo de enfrentar bandido, sua ação é meramente teatral, temendo entrar em alguns bairros, onde os marginais perderam o respeito pela autoridade, entre outros comentários agressivos contra o trabalho da polícia. Muito controle e consciência fazem com que nesse momento não sejam escritos aqui impropérios e ofensas da pior espécie contra uma infelicidade desta magnitude, diante de uma imensa contradição, em que um dia os jornais acusam a corporação de ser agressiva em festas de largo ou até violenta nos tiroteios (exterminadora, falam alguns), e tempos depois aparecem para acusá-la de omissão e medo. Ao final, diz ainda ter se baseado em um alegado comentário de um suposto policial (digito como costumam escrever), que além de ser cercado de suspeitas quanto à sua veracidade, por certo não se coaduna com a concepção da imensa maioria. Infelizmente, parece que ainda vivemos sob a sombra de um revanchismo estúpido da ditadura, onde qualquer oportunidade de atirar pedras contra a corporação é aproveitada de modo inconsequente. Mas a polícia continua trabalhando, a serviço de todos, mesmo daqueles que com tamanha incivilidade pensam ser dispensável ou de pouco valor seu esforço. Parecem esquecer que a ameaça de um só dia de paralisação da PM tornaria a cidade um caos apocalíptico em questão de segundos. A sorte desses trogloditas é que a PM não escolhe a quem servir - durante a prevenção está protegendo a todos indistintamente, e quando da repressão, também atende aos chamados sem ver a quem está servindo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Alex

Já há algum tempo circulam pelo Orkut trabalhos do cinegrafista-jornalista Alex Diaz, o qual, devo admitir, não sei bem ao certo se trabalha no Brasil ou na Espanha, mas isso é irrelevante diante do excelente serviço, despretensioso e valoroso, que o mesmo faz em favor da sociedade e sobretudo dos policiais baianos, tema predominante em seus trabalhos através de imagens, fotos e vídeos editados exaltando a função policial, como visto em várias oportunidades na rede. A obra mais recente é um vídeo homenageando a polícia baiana, com uma trilha sonora da música Profissão Coragem, valiosa criação do Sargento Lago da PMESP, outro entusiasta da atividade policial militar.

O vídeo inclui a Guarda Municipal de Salvador, cujas discussões sobre a intersecção com a atividade de polícia ainda devem continuar por longo período, tomara que sempre em prol de um melhor serviço, sem espaço para disputas e vaidades vãs. Essa singela postagem é uma forma de reconhecer a preciosa atividade exercida por ele, vale a pena assistir aos vídeos e desfrutar do acervo apresentado, realmente muito bom. Parabéns.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Psicoteste

O Correio apresentou hoje uma reportagem sobre psicoteste no concurso de soldados da PMBA, relatando haver casos de pessoas que estão formando ou mesmo soldados já exercendo a função há longos anos sem terem sido aprovados nessa etapa, o que de fato é verdade. No momento é oportuno que a maioria dos mortais admita a incapacidade de determinar o grau de confiaça nessas avaliações, afinal é competência de quem tenha aprofundados estudos da mente humana. Se os juízes têm dado razão aos candidatos reprovados, é uma questão predominantemente legal, sem tanto cientismo medicinal. Quem vive no meio policial militar já deve ter percebido que há casos em que o avaliador parece ter acertado precisamente, outros deixou passar, ou ainda reprovando quem não aparenta ter qualquer distúrbio... Enfim, da parte leiga é de se esperar a imprecisão amadora, resta saber a credibilidade que merecem os testes que são realizados, no que a maioria tende naturalmente a ser tendenciosa, defendendo bandeiras sem saber realmente como é o processo.

Bastão

Anteontem tive a oportunidade de participar do Curso Tático de Bastão Retrátil ministrado intensivamente durante um dia pela ISA-Brasil (International Sungjado Association) através do Mestre Dayverson Wágner, Cabo da PMERJ que soube conduzir bem a instrução, aliando a teoria à prática, englobando legislação e contando ainda com relatos reais oriundos da experiência profissional do PM. A didática simplificada permitiu a assimilação de técnicas com o bastão retrátil, vulgarmente conhecido como Aspen, em confrontos com multidões, combates com indivíduos isolados, armados com facas, porretes, armas de fogo ou outros recursos, discutindo-se ainda técnicas de algemação, entre outros conteúdos perpassados. Compensou o investimento, por sinal bastante accessível, permitindo uma nova análise, mais técnica e precisa, desse armamento ainda não muito difundido em algumas polícias, que conta com vantagens e desvantagens se comparado a tonfas e bastões, e só através de algum estudo e prática é possível avaliar qual se adequa mais a determinadas atividades. Interessante a instrução, bastante aconselhável a quem ainda não domina profundamente tais técnicas.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Baderna

Certas atrações musicais baianas facilmente reúnem uma caterva (multidão) ao seu redor, que embaladas pelo som, pelo álcool e outras drogas acabam por extravasar através da violência suas emoções reprimidas. As características do grupo social atraído antecipam com boa margem de confiança os problemas a serem encontrados em certos eventos, como o Perifolia, ocorrido neste final de semana no subúrbio ferroviário, onde atuaram 437 PMs e foram registradas mais de 400 ocorrências, inúmeras contendas (brigas) entre os participantes, predominantemente jovens insuflados pelo instinto agressivo que a testosterona instiga, aliado à inconsequência típica da idade, bem como todo o meio que os circunda, os referenciais estabelecidos, afinal a crescente participação feminina nessas atividades certamente não está vinculada aos ciclos menstruais. Grandes efetivos são convocados, muitas conduções realizadas e ocorrências registradas, mesmo assim é difícil frear a baderna. Hoje na Segunda-feira Gorda da Ribeira, 183 PMs serão empregados na tentativa de manter o controle social, espera-se que consigam lograr êxito. A PMBA dispõe, seguramente, das melhores tropas capacitadas para o policiamento em eventos especiais desta natureza, talvez em virtude da experiência obtida através do comportamento tão inapropriado de grupos suburbanos ou até mesmo elitistas, que eventualmente compõem uma súcia (corja), requerendo dos policiais respostas imediatas e enérgicas para reestabelecer limites à libertinagem.
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P.S: Poucos segundos após esta postagem, já surge a notícia de que tiroteio deixa cinco feridos em festa na Ribeira. Não tardará a chegar o dia em que serão estabelecidas sérias limitações a determinadas festas, onde a manifestação agressiva supera qualquer outra intenção.

Renascer

A tragédia ocorrida em São Paulo, no desabamento do teto da Igreja Renascer, pode servir de lição para policiais militares ou até guardas municipais, que na predominante tranquilidade do patrulhamento ordinário cotidiano, podem ser surpreendidos de supetão com uma ocorrência dessa magnitude. E então, o que fazer além de, obviamente, acionar socorro especializado? É sempre bom lembrar da necessidade de isolar e sinalizar bem o local, evitando a ocorrência de novos acidentes, talvez seja até torne-se impossível prestar os primeiros socorros de imediato às vítimas, seja pela grande quantidade das mesmas ou ainda a possibilidade de alastramento do risco, atingindo mais pessoas. Um ponto importante, simples e muitas vezes negligenciado, trazendo comprometimento às etapas posteriores, é o não estabelecimento de um ponto fixo para reunir quem escapou da tragédia. É sempre oportuno manter agrupados os resgatados, pois diante do caráter crítico da situação, pessoas que de imediato não encontram seus familiares e amigos tendem a se desesperar, precipitando-se em aflição extrema, quando talvez eles estejam a salvo, mas em outro ponto, possivelmente sofrendo as mesmas sensações, espontaneamente provocadas, mas não devidamente evitadas por quem deveria gerenciar aquela crise. Na "hora do vexame" nem sempre dá para lembrar toda a doutrina, é conveniente o reforço esporádico para reforçá-la.

Repeat

Se nos últimos 3 dias (1+1+1) houve motivo suficiente para tratar do envolvimento de mulheres no crime, hoje não foi diferente, duas mulheres duelaram com facas devido ao pedido de 2 reais de uma à outra, para fins de consumo de drogas, prática na qual ambas eram vezeiras - uma terminou morta e a outra atingida no rosto. Sem querer, acho que foi descoberto mais um filão para uma imaginária seção permanente de acompanhamento de notícias que seguem um padrão de repetição constante, como as fugas de delegacias, sempre lembradas aqui no blog, a exemplo da que ocorreu hoje em Porto Seguro, onde 23 presos escaparam. Essa realidade é que vem se tornando normalidade no nosso cotidiano.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Flanelinha

Hoje o Correio publicou uma oportuna reportagem sobre a praga dos flanelinhas, que assola os mais diversos bairros de Salvador, uma prática abusiva de extorsão aos condutores que estacionam seus veículos em via pública ou até mesmo em vagas de visitantes ou clientes de estabelecimentos e se veem ameaçados por trombadinhas, malandros, mulheres, mendigos e todo tipo de gente que desempenha essa atividade ilegal e 100% lucrativa, sem nenhum trabalho ou responsabilidade. Em alguns locais e eventos chega-se a cobrar, ilicitamente, quantias abusivas, acima de R$ 10 por exemplo, geralmente exigindo-se ainda pagamento antecipado, sob pena de encontrar o veículo danificado no retorno, por arranhões, colisões, arrombamentos, pneus vazios e outros danos, contra os quais não há qualquer garantia ou seguridade caso o pagamento seja "devidamente" efetuado e ainda assim venha a ocorrer. É uma grande falha do município permitir que essa prática se perpetue, um verdadeiro desrespeito ao cidadão. Desconheço políticas das polícias em relação à repressão desses crimes, e não compreendo como a Prefeitura não parece adotar qualquer medida razoável para amenizar o problema. Por que não aumentar o número de guardadores sindicalizados, com direitos trabalhistas, devidamente uniformizados, remunerados com salário justo e cobrando uma tarifa compatível, da qual serão recolhidos impostos, com garantias e formalidade através daqueles volantes? Se funcionam bem em determinados locais, por que não estender por mais áreas da cidade, dando emprego a quem precisa e colocando ordem nas ruas? Com certeza o que não faltariam seriam candidatos honestos, diferentemente de boa parte dos clandestinos que se espalham por aí. Do jeito que está, a lei da selva impera, com pseudoguardadores disputando à força cada veículo e subtraindo dos indefesos motoristas quantias abusivas a troco de um mau serviço, se é que existe.

Mulheril

Outra coincidência endossa as postagens de ontem e anteontem sobre a presença de mulheres na criminalidade: hoje duas foram presas após serem atingidas por tiros em confronto com a Rondesp, tendo mais sorte do que os outros três marginais que compunham a quadrilha, os quais vieram a óbito na troca de tiros, após praticarem roubo a posto de combustível e resistirem à prisão, disparando contra os policiais. Vale o reforço da inconveniente publicação do portal Correio, ao anunciar: Três pessoas morrem e duas são baleadas após troca de tiros. Por certo, com essa leitura, muitos terão dúvidas quanto à culpabilidade dos que sucumbiram, e mais ainda, tenderão a suspeitar e presumir que as duas baleadas sejam inocentes passantes que transitavam pelo local. Não é por fazerem parte do crime que deixaram de ser pessoas, mas já que a reportagem declara os 5 como assaltantes pouco mais adiante, ao longo do texto, por que não evidenciar logo essa qualidade no título, sem deixar margem a dúvidas em relação à precisão da ação policial realizada? O portal A Tarde acertou nessa questão, deixando bem claro, já na manchete, que os 3 mortos eram ladrões e as 2 feridas pertenciam ao bando. Devia servir de exemplo para o concorrente, que aparentemente falhou na escrita.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Curtas

- Depois do Correio escrever que "Violência obriga PM a criar três novos comandos na capital" há 4 dias, hoje foi a vez de A Tarde seguir linha semelhante, ao destacar na edição impressa "Crime obriga SSP a escoltar turista". Aparentemente, o emprego do verbo obrigar visa desestabilizar a ação do Estado, como se quem estivesse ditando as ordens fosse a bandidagem. Ora, se o vento mudou, ajustem-se as velas. O dinamismo do crime exige adaptação constante da polícia, novas soluções são testadas, reajustes são feitos no intuito de aprimorar o serviço; talvez a violência possa acelerar, forçar, estimular a tomada de algumas decisões, mas dizer que "obriga" a adotar determinadas medidas é um tanto agressivo e inapropriado. - Depois dos incansavelmente discutidos contâiners, grande novidade que fracassou no verão passado, dessa vez são apresentadas celas construídas em sistema de monoblocos, que já vêm prontas, necessitando instalação hidráulica, elétrica e de segurança. A SJCDH fez questão de destacar que "...o modelo não é semelhante aos 20 contêineres... " do ano passado. Torçamos pelo sucesso da inovação, buscando desafogar as abarrotadas delegacias e presídios da capital.

 
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