domingo, 6 de abril de 2008

Fatores

É interessante a quantidade de fatores que interferem na mente do policial enquanto presta serviço em eventos especiais. Geralmente a situação começa com a mentalização do que é sabido na preleção, como caracterísitcas o público, expectativa do tempo, informações da inteligência, entre outros dados. Porém, no transcorrer do mesmo, cada novo fato pode mudar o contorno das condutas, e isso está sendo dito no intuito de demonstrar a singularidade do serviço policial, no tocante à árdua manutenção do controle e equilíbrio. Ontem, na Micareta de Alagoinhas, entenda-se como um breve relato pessoal, tudo começa dentro da normalidade, mas em algum tempo de atuação começam a chegar informações, seja da ocorrência de disparo de arma de fogo, da morte de um policial em acidente após sair do evento, um patrulheiro que passa mal e necessita ser atendido em posto médico para receber soro, local onde a cada instante constata-se a chegada de diversas vítimas, cidadãos agredidos, alcoolizados, em overdose... É uma realidade que dificilmente alguém além de um policial consegue "se acostumar" e tentar fazer com que aquilo tudo não comprometa o bom andamento do serviço até o fim, sem perder a cabeça. Mas caso ainda restem dúvidas, é o normal de ocorrer nestes eventos regados a álcool, axé e aglomerações nas ruas, e os policiais baianos têm know-how invejável neste ramo.

sábado, 5 de abril de 2008

Verdade

Sinto-me na obrigação de reproduzir em forma de postagem um comentário anônimo pertinente que foi feito no último post: Acabo de assistir no programa balanço geral à negociação da CAEL com dezena de detentos que destruiram a cadeia de Pojuca. O tempo todo, o apresentador Claudio Luis (que há dois meses era um mero vendedor do supernemo) parabenizava a equipe da Record pelo êxito nas negociações: "não fosse a nossa equipe, a situação teria sido catastrofica", repetia. Não vi o reporter ou o cinegrafista abrir a boca ou sequer chegar perto dos bandidos rebeldes, mas o mérito, é claro, foi dos empregados dos bispos. Quanto às tecnicas de gerenciamento de crises profissionalmente empregadas pelos policiais, nenhuma palavra.Esse é o "jornalismo" baiano, onde vendedor de capsulas de casca siri ralado opina sobre segurança pública.
Também assisti a tudo isso, e diante do exposto, quase não há comentários de minha parte. Há alguns meses foi o repórter Zé Bim que se autodenominou como responsável por evitar o suicídio de um deficiente que ameaçava atear fogo sobre o próprio corpo, sentado em cadeira de rodas numa passarela do Iguatemi. Parece mesmo que as faculdades de jornalismo incluiram a matéria gerenciamento de crises no currículo, dado o suposto êxito dos repórteres baianos nesse intento. Vamos aposentar nossos negociadores, especialistas, e deixar por conta dos apresentadores de meio-dia que parecem ser suficientes. Os bombeiros no caso do deficiente, a CAEL na delegacia em Pojuca, o BPChq da última vez na Lemos de Brito, tambem no caso do deficiente mental da Garibaldi, e tantas outras ocorrências graves recentes já são possíveis de ser solucionados apenas com uma câmera e um microfone. Ou não.

Tal qual

A cada dia esta cidade parece chegar mais próxima da condição em que se encontra o Rio de Janeiro. Ontem ocorreu algo a que estamos acostumados em ver nos jornais quando se fala do RJ: pânico em ruas, intenso sobrevôo de helicóptero policial, toque de recolher, corre-corre de viaturas, abordagens constantes. Tudo isso ocorreu na Boca do Rio, próximo ao local onde registrou-se o latrocínio vitimando um idoso esta semana. A ação policial é uma represália em resposta à ousadia do bandidos, guarnições da área (39ªCIPM/Boca do Rio) bem como especializadas (ROTAMO, GARRA, GRAER) estiveram durante todo o dia atuando na localidade, o que provocou certo impacto, culminando no fechamento de escolas, realidade semelhante a de certas regiões em Israel e Palestina. São reações enérgicas, que precisam de elaboração minuciosa para assegurar o sigilo necessário, dificultando a antecipação por parte dos bandidos; entretanto deve-se haver também o cuidado para não chocar demais a população que transita na região, feito geralmente provocado pelos próprios meliantes, que espalham terror entre a vizinhança.

Coletivos

O jornal A Tarde traz reportagem sobre a questão dos roubos em coletivos, a Operação Gêmeos (OPRRC) adota novas estratégias utilizando inclusive viaturas despadronizadas, bem como a Operação Jericó deve aumentar sua atuação. Manifesto aqui a linha de pensamento de que certas táticas não deveriam ser tão divulgadas, creio que seria o bastante anunciar que a PM adotará novas posturas no combate ao crime, sem esmiuçar as técnicas. Seria interessante aplicar o modelo de blitzkrieg na íntegra, de modo a tornar as abordagens relâmpago com real fator surpresa e rapidez, ampliando a possibilidade de autuar um flagrante. Na Polícia Civil, destaca-se o empenho do GERRC no combate a esta modalidade que vitima principalmente cidadãos de menor poder aquisitivo, que são os usuários do transporte coletivo, demonstrando a covardia e vileza dos criminosos. Lembrando sempre de endossar o pregado aqui ultimamente, de nada adianta atuar, combater e prender para depois correr atrás de novo, como gato e rato, a cada nova fuga registrada.
Foto: RONDESP aborda coletivo/PMBA

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Rebelados

De volta para praticamente repetir o que foi divulgado há pouco; é quase sempre a mesma notícia, só costuma mudar a cidade. A Tarde: presos na delegacia de Pojuca fizeram rebelião, destruindo parte da estrutura; a situação só foi controlada coma chegada de reforço policial tanto civil quanto militar. Queima de colchões, quebra de grades, conseqüências prejudiciais aos cofres públicos e por conseguinte ao bolso do contribuinte. Já está quase sendo necessário criar uma área do blog só para divulgar cada fuga e rebelião que acontece a todo instante no estado, sem que nada aparentemente significativo seja feito. Será preciso um mal maior para que sejam tomadas providências?

Foto: Lúcio Távora/A Tarde

Mais

Desde hoje pela manhã, está suspenso o estado de greve da PM, anúncio que felizmente não trouxe maiores conseqüências à sociedade quando anunciado. Ao que tudo indica, também na PC devem cessar as intenções de greve, mantendo as negociações com o governo.
Mas entra ano e sai ano, muda secretário de segurança pública, delegado chefe, entra em greve, sai de greve, e continua a constante onda de fuga nas delegacias, feito que já está se tornando cansativo divulgar aqui, dada a sua ocorrência quase que diária desde o ano passado. Agora foi em Conceição do Jacuípe, 10 dos 15 presos empreenderam fuga, jogando fora todo o árduo esforço de vários policiais. Não deve ser culpa dos agentes de polícia, que por sinal certamente não foram formados para trabalhar como carcereiros, agentes penitenciários. Nosso modelo de confinamento parece fracassado, praticamente todas as delegacias encontram-se superlotadas e pouco ou nada é feito para solucionar a questão; algumas idéias fracassam, como o caso dos contâiners. Uma solução pode ser extinguir esta repartição das novas delegacias que venham a ser instaladas ou aposentar nas atuais, de modo que no máximo se tenha uma pequena cela, para casos específicos e obrigatoriamente temporários, a exemplo do ocorrido nas centrais instaladas no carnaval. Havendo-se um outro local devidamente estruturado, compatível com a demanda, certamente as fugas seriam muito reduzidas, além de centralizar a vigilância com efetivo devidamente formado e destinado para tal, liberando grande quantidade de agentes a serem empregados no exercício das funções para as quais foram formados.
Foto: Johnny Marbelo

Capas

Voltando à rotina, anuncia-se hoje nas capas dos jornais locais alguns problemas da segurança pública baiana: no Correio da Bahia, versa-se sobre o alto índice de ocorrências que não devem ter chegado ao conhecimento das autoridades, sobretudo os homicídios, modalidade de crime com baixo índice de sucesso nas investigações neste estado; situação vinculada à circunstância de greve em que se encontrou a Polícia Civil nos últimos dias.

Por sua vez, a Tribuna da Bahia traz novamente à tona a questão dos módulos policiais nos bairros, tema já tratado aqui. Reafirmo e acrescento algo ao que foi dito à época, é uma reclamação legítima, mas há significativa dificuldade em reativar todos. A queixa tem destaque pelo fato da desativação ter se dado sobretudo em locais com altos índices de violência, bom seria se cada dispositivo deste dispusesse de homens e infra-estrutura suficiente, quiçá com uma viatura ou pelo menos motocicleta acoplada à disposição, dinamizando e assegurando agilidade à prestação do serviço, além de garantir condições próximas à ideal para o pleno exercício da função a que os policiais militares estão ordinariamente destinados.

P.S.: Inclusive A Tarde também manteve a violência como destaque na capa, tratando dos casos de estupro, com enfoque na impunidade e acusação de mau antendimento policial, questão delicada em virtude do abalo e fragilidade da vítima diante do ocorrido, fator que às vezes dificulta investigações. É algo bárbaro e repugnante, tanto que os capturados por essa prática costumam ficar em alas seguras e isoladas na detenção, do contrário costumam sofrer castigos por parte dos demais presos, que lhes custam a honra, integridade física e em alguns casos a própria vida.

Correção

Em tempo, hei de reconhecer o equívoco proferido no último post, graças à atenta vigilância constante de dois colegas leitores, mais doutos no direito. A vinculação do ditame penal com a temática é inoportuna, a despeito da semelhança aparente do tema. Parafraseando, é como dizer que, sabidamente, se traduzirmos ao pé-da-letra uma expressão de outro idioma, palavra por palavra através de um dicionário, corre-se o risco de chegar a um resultado diferente do pretendido pelo autor; o que veio a acontecer no caso citado, onde as palavras talvez induzam a uma conclusão precipitada, sobretudo devido à semântica específica do verbo comunicar no ramo penal do direito. Desta forma, retira-se o que foi divulgado anteriormente, admitindo-se a falha, com a ressalva do dito que, em poucas palavras, resume: "Quem não erra é porque não faz nada", de tal modo que muitos se passam por sabedores enquanto se mantém calados. Cumprido, simbolica e metaforicamente, o preceito constitucional que versa "É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo" (art. 5º,V da CF) em favor do reclamo dos justificadamente ofendidos, "segue o enterro".

quinta-feira, 3 de abril de 2008

(In)Comunicável

Versa o artigo 30 do Código Penal: "Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do crime.". Acerca do fato envolvendo latrocínio onde a vítima é pai de oficial do GRAER, fica a curiosidade sobre o porquê de tanta ênfase a esta condição, possivelmente desconhecida por parte dos autores do crime. No recente caso do major vítima de disparos em roubo a posto de combustível, era significativo apontar a condição do mesmo, uma vez que se encontrava uniformizado, como representante legítimo da corporação. Já no caso de ontem, interessava mais aos policiais saber que se tratava do pai de um colega do que à população em geral, o que parece tornar dispensável a divulgação desta condição, tampouco expô-la com tanta notoriedade em capas de jornal. Se comprovado que os criminosos sabiam da condição do filho da vítima, até que pode ser compreensível a comunicação desta peculiaridade; do contrário, deve ser mais um artifício ardil para angariar audiência ou até comprometer o clima já conturbado da sociedade nos últimos dias.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Suspense(a)

Destaca-se a suspensão por 72 horas da greve da Polícia Civil, decisão que acalma os ânimos; por parte da PM, há assembléia prevista para sexta-feira, por ora prevalece a normalidade. Houve mais um registro de fuga em delegacia, cinco escaparam em Barreiras. Mais um cidadão é morto com vários tiros ao reagir roubo, dessa vez o aposentado Renato Carlos Teixeira da Silva, 69 anos, pai de oficial do GRAER.
No quartel, perde-se a conta dos relatos de cada um sobre a quantidade de parentes, amigos, vizinhos e até desconhecidos que os questionaram, seja por telefone, e-mail, mensagem, scrap ou pessoalmente, sobre a real situação na PM, recorrendo a quem estava em serviço ou de folga como forma de controlar o suspense e ansiedade. É válido registrar que tudo isso deve-se ao pesadelo vivido em 2001, e atualmente há relatos informais de que vândalos estejam tentando tirar proveito da situação; boatos de arrastões surgem em alguns lugares, diz-se que estabelecimentos chegaram a fechar mais cedo, pessoas observam um aparente esvaziamento das ruas em certos horários. Não podia ser diferente, a verdade é que, se pára a SET, Correios, Polícia Federal, professores, transporte coletivos e tantas outras categorias, há um dano ao bom andamento da sociedade, mas se a PM parar, nada mais tem continuidade. É lamentável que esse reconhecimento só surja em momentos extremos de aflição, quando passa pela cabeça de alguns que, se avistassem da janela um roubo, arrombamento, estupro, nada poderiam fazer, o famigerado 190, que todo mundo sabe de cor, não iria ter quem atendesse do outro lado. Para os mais boçais, que se iludem em crer que nunca precisaram da polícia, esse é o momento de repensar.
Foto: Lúcio Távora/A Tarde

Votação

Enfim é votado o reajuste, aprovado no modo proposto pelo governo por 37 votos a 11, a despeito da evidente manifestação policial, sobretudo civil, na Assembléia. Registre-se que as manifestações da PM são limitadas por força da condição de militares, antes que alguém se precipite em afirmar que seria uma demonstração de contentamento com a situação. Deste modo, a Polícia Civil permanece em greve e a PM em atividade. Parece ter havido uma perda, a já citada desvinculação do aumento da gratificação com o soldo, só a longo prazo será possível avaliar as conseqüências. Quem parece determinada a paralisar suas atividades agora é a SET, que, entre outros itens, alega ter dificuldades em desempenhar suas funções, exigidas com reforço diante da greve da PC, apesar da dependência de efetivo poder de polícia para o pleno êxito de seu trabalho.

Foto: Fernando Amorim/A Tarde

terça-feira, 1 de abril de 2008

Antecipação e estratégia

Notícia em A Tarde dá conta de que a votação do aumento salarial prevista para amanhã foi antecipada para hoje na Assembléia Legislativa, podendo assim dar novos rumos aos movimentos policiais. Vale destacar uma ótica de análise das negociações, há uma divisão, talvez proposital, em 4 categorias: agentes, delegados, praças e oficiais. Pensadores como Maquiavel já pregavam a arte de dividir para melhor controlar e administrar, quanto mais fragmentado o corpo, mais frágil ele se torna, o que parece estar em voga no momento. Há ainda outro ponto crítico, o foco está sendo centralizado apenas nas porcentagens de aumento, que, se desiguais agora, ainda podem ser revistas a posteriori; o mal maior reside na perigosa desvinculação da GAP com o soldo, tema pouco discutido nos meios abertos. Há lamentável enfraquecimento também pela falta de divulgação de uma pauta clara das reivindicações para acesso da população, comprometendo lideranças e classes. Enquanto isso, questionamentos e interrogações espalham-se pelas ruas, delegacias e quartéis.



Foto: Luiz Tito/A Tarde

Prisões e crimes

Não distanciando das demais ocorrências policiais na cidade e no estado, vale ressaltar algumas relevantes do dia de hoje:
- Delegado da PC e sargento da PM são presos em Irecê, acusados de envolvimento em homicídio;
- Dois jovens são mortos no Cabula, vítimas de 2 ocorrências de latrocínio, ambas com relato de reação das vítimas ao terem seu aparelho celular roubado;
- Presos da 12ªCP/Itapoan foram transferidos em operação conjunta das Polícias Civil e Militar, em decorrência dos danos provocados na estrutura da unidade, fato comentado ainda hoje pela manhã;
- Advogada é presa por tentativa de suborno a policias militares da 3ªCIPM/Cajazeiras na BR-324. Esse último caso merece destaque especial pela prisão ter sido comandada pelo Ten PM Anderson Oliveira, da referida unidade, o qual há algumas semanas foi responsável pela prisão de quadrilha famosa por propagar seus feitos no orkut, fato citado aqui no blog.



Foto: PM e PC conduzem presos - Marco Aurélio Martins/A Tarde

Continua

As novas informações dão conta da continuidade da situação: a PC permanece em greve, apesar da alegação de ilegalidade; a PM mantém-se em negociação, evitando um mal maior. Houve tentativa de fuga na 12ªCP/Itapuã, com depredação das instalações, tendo sido frustrada pela ação de policiais do COE e BPChq. Há informe de que os rumores de greve já incitam a ação de baderneiros em alguns locais. Também a informação é de que em Juazeiro os policiais civis voltaram a entrar em greve, apesar do registro de retorno às atividades, até com a retirada de faixa ontem, tendo havido inclusive registro de tentativa de fuga na unidade policial, ação registrada ainda em Feira de Santana, denotando o caráter de alcance em todo estado da manifestação. E já que o assunto do momento são greves, para completar os Correios também a fizeram em 13 estados, inclusive Bahia.

Imagem: Jornais locais do dia

Tartaruga

No vai-e-vem em que se encontram as negociações, a todo momento surgem novos acontecimentos. O Diário Oficial do Estado aponta que na 16ªCP/Pituba, os trabalhos já teriam voltado ao normal, insinuando uma normalidade nos serviços; o comandante geral da PM diz que "Não existe aquartelamento nem na capital nem no interior", ressaltando o aspecto criminoso desta possível conduta. Da PM, é dito no Correio da Bahia que iniciou-se uma operação tartaruga, modalidade em que o atendimento fica reduzido, anunciando também o estado de greve; há ainda a informação de que o Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado da Bahia também executará operação tartaruga, conforme notícia em A Tarde.



Foto: João Alvarez/A Tarde

segunda-feira, 31 de março de 2008

News

Parte do que tem sido feito aqui ultimamente é como um garimpo das notícias mais relevantes, uma das intenções do blog; em alguns casos não são feitos juízos de valor por questões éticas, ao se tratar de outra corporação, ou por questões disciplinares, em obediência aos regulamentos. Mas retornando ao que importa, também em Juazeiro os policiais civis retornaram aos trabalhos normais, conforme notícia de A Tarde, que inclusive destaca a decisão da justiça em decretar a greve como ilegal, exigindo retorno ao trabalho, fato também mencionado no iBahia, o que pode (ou não) alterar os rumos do movimento.
Da lado da PM, segundo A Tarde e Bahia Notícias, foi decretado estado de greve, situação que significaria a possibilidade de parar a qualquer momento, decisão tomada após reunião. Registre-se que no meio militar não é concebível a nomenclatura greve, trata-se de um senso comum propagado pela imprensa, um possível movimento nesse sentido seria provavelmente motim ou revolta, termos do Código Penal Militar. Ocorre ainda esta noite discussão sobre o tema proposta pela Associação Força Invicta, no Clube dos Oficiais. Os PMs tem sido representados pelo deputado Capitão Tadeu, amanhã devem comparecer à Assembléia Legislativa a fim de pressionar pelos seus interesses, que serão votados na quarta-feira. E, ainda que pareça repetitivo ou redundante, volto a registrar a perceptível preocupação da população com a possibilidade de interrupção dos serviços da PM, sempre trazendo à memória o ocorrido em 2001.
Foto 1: Deonicio Braga/A Tarde
Foto 2: Imagem de julho de 2001

Rebelião e suspensão

A Tarde divulga que em Barreiras os policiais civis suspenderam a greve, tendo enviado representantes para continuar as negociações na capital. Na cidade de Senhor do Bonfim, segundo o iBahia, houve rebelião na casa de detenção envolvendo cerca de 42 presos, juiz e promotora tentam negociar. A situação parece confusa, e vale lembrar novamente que a população se mantem receosa quanto ao futuro do movimento, tanto da parte da civil quanto da PM.

Foto: Deonicio Braga/A Tarde

Grande fuga

No comentário de sábado, não foi vinculada diretamente a fuga de presos em Ibotirama sexta-feira com a situação da greve, mas hoje os jornais não deixam dúvidas na correlação dos fatos: 39 presos fugiram de delegacia na Baixa do Fiscal (DRFR/DREOF), já tendo sido recapturados 12 pela PM. Fica-se a imaginar o suor, ou até mesmo sangue, derramado por tantos combatentes para a captura dessas dezenas de criminosos. Com certeza foram várias diligências, investigações, riscos, noites em claro, embates duros para ver todo sacrifício ser tido em vão agora. São as primeiras conseqüências nítidas da paralisação; o final de semana teve um índice de homicídios "aceitável" comparado aos anteriores, mas muita coisa ainda pode acontecer.

domingo, 30 de março de 2008

Preocupação

A greve da Polícia Civil continua a dominar as manchetes nos jornais, e ao que consta em algumas reportagens, setores do governo entram em contradição e até chegam a dizer que não há paralisação, o que pode ser uma estratégia para tentar enfraquecer o movimento, bem como uma demonstração de descontrole da situação. A verdade é que cresce no povo o temor de uma adesão por parte da PM, vide os tantos comentários de leitores nos principais portais eletrônicos de informação local, A Tarde e iBahia. Conforme os ditames democráticos, há quem se manifeste a favor das classes na reivindicação, outros criticam a atitude pelas conseqüências geradas na sociedade; amanhã, com a retomada dos expedientes devem surgir novas posturas.

sábado, 29 de março de 2008

Greve 2

Com a efetivação da greve na Polícia Civil, algumas conseqüências já começam a ser percebidas. Não há calamidade aparente, mas a PM está com seu trabalho dificultado em certas ocorrências, bem como a população não tem acesso a todos os serviços nas delegacias; discussões sobre esta greve tomam conta das comunidades no orkut, e também das conversas entre cidadãos, alguns manifestando certa preocupação, dado o trauma causado pelas paralisações em 2001. Há quem não saiba em que patamar anda o processo, muitos jornais pecam por referir-se genericamente a polícia sem especificar se civil, militar ou qualquer outra, trazendo dúvidas à população. Ontem houve fuga de presos na superlotada delegacia de Ibotirama, não parece prudente vincular diretamente o fato à situação, mas registra-se o indício de mais um efeito. A situação da PMBA deve ser discutida na segunda-feira.
Contextualizando, há também o início de greve na PC da Paraíba, lembrando que em Alagoas encerrou-se há 30 dias a que já durava 7 meses.
Foto: Arestides Baptista/A Tarde

 
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