sexta-feira, 13 de março de 2009

Certeira

Grata surpresa traz a leitura do simplório Jornal da Metrópole, distribuído em pontos fixos e móveis pela cidade no dia de hoje, na edição que estampa em capa um apanhado geral sobre toda a trama vivida na PMBA ultimamente, com um diferencial extremo dos tradicionais A Tarde, Correio e Tribuna da Bahia, por expor a verdade e a intimidade em relação aos fatos. A leitura deste jornal de Mário Kértesz é, por certo, a mais indicada entre tudo que foi publicado nos últimos dias sobre o assunto, para se ter uma noção do conteúdo, alguns coronéis recorreram ao anonimato para manifestar suas opiniões sobre o fato, e há revelações relevantes no bojo da matéria.

Altamente recomendável não perder esta oportunidade de se inteirar de modo mais aprofundado sobre o que está se passando entre nós.

Desestabilização

A modernidade tem trazido mudanças na tradicional estrutura familiar, com flexibilização de antigos valores e quebra de dogmas que chegam a culminar em condutas imorais e ilegais que a cada dia surgem de forma mais frequente na imprensa, chocando a sociedade. Recentemente houve um posicionamento polêmico da Igreja Católica em relação ao aborto de gêmeos praticado por uma criança de 9 anos vítima de estupro praticado pelo padrasto em Alagoinha-PE; já hoje, somente aqui na Bahia, duas são as manchetes que provocam choque e pasmaceira na população: uma diz respeito à gravidez de uma adolescente de 13 anos, fruto de violência praticada pelo próprio pai, no município de Guaratinga. Como o autor do estupro foi o próprio representante legal, o Ministério Público atribuiu à adolescente a responsabilidade por decidir entre levar adiante a gravidez ou praticar aborto. Na capital, bairro de Bela Vista do Lobato, um caso extremo de incesto foi registrado, onde Adilson Matos dos Santos, 27, foi preso em flagrante por estuprar a própria mãe, de 42, durante cinco anos. Alguns dos nove irmãos sabiam do fato. São esses os desvalores atuais, talvez ajudem a explicar outras tantas barbaridades que são vistas por aí.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Continuidade

O Correio permanece dando destaque diferenciado aos fatos relacionados ao escândalo em voga, com mais documentos e informações que elevam o grau de suspeição nos processos. Ainda em relação ao momento da prisão dos acusados, a Associação Força Invicta, representante da oficialidade da PMBA, apresentou através do sr Maj PM Sílvio Correia seu posicionamento, criticando, com razão, alguns procedimentos adotados, principalmente em relação à algemação, que apresenta evidências de ter sido completamente desnecessária, violando ao extremo a súmula que recentemente estabeleceu requisitos para justificar o emprego. De fato, houve um procedimento amador no desencadear da operação, deixando de lado o profissionalismo para dar espaço a vaidades tolas. A repetida questão da insistência do delegado em ser chamado de senhor, procedimento comum nas prisões mais corriqueiras, foi avaliada como "Um ato imaturo, de um profissional imaturo", e contra essa constatação é difícil apresentar argumentos contrários. Aliás, há quem esteja curioso em ver divulgados os nomes de quem esteve à frente da operação. "Por que só algemaram o coronel Santana e não algemaram os outros dois coronéis acusados?", é uma indagação plausível e ainda sem resposta oficial.
Ainda estamos abaixo do grau de seriedade com que precisam ser encaradas certas atuações policiais.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Reflexões

Várias são as reflexões que surgem, à luz da razão, diante dos recentes fatos ocorridos. A corrupção parece estar arraigada na administração pública em todo Brasil, nos mais diferentes níveis, variando quanto à constatação mais por motivações políticas do que trabalhos policiais plenamente isentos de interesses. Na realidade soteropolitana, muitas são as suspeitas que recaem sobre grandes obras como a construção do Metrô, Estádio de Pituaçu, entre outras construções, além dos recentes problemas na PM e já alcançando também a Guarda Municipal. Dois dos comandantes gerais que antecederam o atual enfrentaram acusações de corrupção que necessitam de toda persecução penal para serem confirmadas, será que o sistema contaminado acabou forçando o suposto corrompimento dessas autoridades? Seriam capazes de estruturar por conta própria toda uma provável articulação para o manejo improbo dos recursos, ou isso já é uma praxe disfarçada nas mais diversas licitações que ocorrem pelo estado? Dúvidas não faltam sobre a credibilidade dos trabalhos do governo como um todo, principalmente sobre a motivação para apurar de forma espetaculosa casos específicos.
Olhos abertos, há coisas que de relance não somos capazes de enxergar, "o diabo mora nos detalhes".

terça-feira, 10 de março de 2009

Almiro

Um artigo da seção de Opinião no jornal A Tarde hoje chamou a atenção pela correspondência entre o título "Em defesa da PM da Bahia" e o autor, o Promotor Almiro Sena Soares Filho, que não parece ter muita afeição às práticas hodiernas da milícia baiana no campo operacional como um todo. Dada a fundamentada má impressão anterior, surgiu um interesse especial em desvendar o conteúdo do texto, e de fato pareceu uma análise justa, cônscia e imparcial dos ocorridos, separando a instituição da ação praticada, reconhecendo a larga predominância de ações dignas de orgulho praticadas diariamente pela corporação ao longo de sua gloriosa existência. Dos 5 parágrafos de reflexão, os 4 primeiros são elogiosos pela escrita responsável e verdadeira, contudo o último deixa bastante a desejar, comprometendo toda a qualidade do texto, ao recorrer ao velho, duvidoso, cansativo e repetitivo jargão de que a polícia tortura e executa indiscriminadamente pobres e negros. Ora, as nossas polícias, desde os níveis de execução ao alto comando, são compostas em notável parcela por pobres e negros, essa é a verdade, variando quanto ao nível de riqueza, mas sempre sem margem que justifique qualquer conduta pautada em critérios meramente étnicos ou financeiros para o cometimento de ilicitudes. Acontece que a violência urbana mais reprimida pela polícia estadual, tipo roubo a transeunte, veículo, coletivo, uso e tráfico de drogas, estupro, homicídio, entre outras práticas, é predominantemente cometida por pobres e negros, vide o perfil do público que lota delegacias e presídios. Ainda vivemos em uma sociedade onde o crime dos ricos e brancos costuma ser no âmbito fiscal, corrompendo administrações, com infiltração política, em níveis e modalidades cuja repressão costuma ser de competência da Polícia Federal, essa sim diariamente lida com classes abastadas, ao tempo em que a realidade nos estados é a ronda no subúrbio, periferia, na favela, onde a formação étnica e social segue um determinado padrão. É preciso encarar essa realidade com reflexões verdadeiras, sem rótulos e chavões vencidos.

Poeira

Assentada a poeira levantada pelo episódio, a soltura dos presos inaugura uma nova fase do trabalho realizado tendo em vista a apuração do ilícito supostamente cometido. É preciso, antes de tudo, fugir do senso comum que desconhece as motivações para manter ou não na cadeia quem está sendo alvo de investigação, inquérito, ainda sem pena alguma, iniciando a fase processual. Não se deve nem pode antecipar a condenação, que só é válida após julgamento onde sejam observadas as garantias constitucionais de ampla defesa e contraditório. Se não há fundamentação para manter os suspeitos reclusos, que se processe o desdobramento respeitando a presunção de inocência e direito à liberdade, ainda que após prisão em flagrante próprio. Celeridade judicial, transparência e impessoalidade são princípios e valores que urgem no momento, diferentemente do barulho desmotivado visto em programas como o Balanço Geral, onde a preocupação maior parece ser a difusão espalhafatosa de informações, sem agregar valores ou dados de interesse. Não é assim que vamos resolver os problemas que ora se apresentam.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Retaliação

Desde ontem os jornais falam de uma reunião ocorrida entre os coronéis da PMBA na noite de sexta-feira para tratar do escândalo em voga, e cogita-se a hipótese de haver retaliação em virtude de alguns procedimentos adotados durante a prisão dos acusados, que podem ser libertados ainda nesta tarde, por volta das 16 horas, a depender da apreciação judicial. Todo esse clima de rivalidade e disputa entre as corporações só traz prejuízos à sociedade, resta saber o que se pretende ao pensar em "adotar medidas de não-cooperação às iniciativas da Polícia Civil". Não é fácil imaginar quais procedimentos venham a ser adotados no intuito de provocar essa desavença, espera-se que os líderes máximos das instituições, sob supervisão da SSP e do Governo, sejam capazes de estabelecer uma aliança mínima que permita a continuidade das ações de sucesso, sem prejuízo ao contribuinte, que nada tem a ver com as diferenças entre classes.

domingo, 8 de março de 2009

Problemas

O atual quadro que se apresenta à sociedade envolvendo a segurança pública na Bahia expõe diversos problemas para os quais é preciso buscar solução. Isso se depreende da leitura de jornais, análise de discussões no Orkut, e todas as formas de difusão de informação, chegando a constatações como:
- Existem policiais civis e militares querendo disputar vaidades diante do ocorrido, com isso perdem as duas instituições, e mais ainda o cidadão, que não tem a ver diretamente com a situação. Melhor seria cada um se ocupar em resolver seus problemas, como a queixa da população sobre a falta de delegados em certas cidades, elevando a criminalidade, ou ainda as carências na formação de oficiais e praças, com precariedade de estruturas e apoio para uma instrução de nível. Semestres inteiros sem instrução de tiro nas unidades-escola, longas horas para atendimento em delegacia, é preciso diagnosticar as causas e remédios para esses problemas, uma vez que as consequências já são suficientemente conhecidas.
- Se a investigação se mantiver séria e imparcial, muita coisa ainda pode ser descoberta. Em pouco tempo, já surgiram novos nomes de militares e civis supostamente envolvidos na ilegalidade, alcançando inclusive a esfera municipal e já chegando a nomes de políticos. É disso que precisamos, seriedade e transparência, doa em quem doer, sem dar margem a rivalidades vãs ou favorecimentos particulares.
- Acusa-se que já havia planos para novas fraudes em 2010 envolvendo boinas e algemas made in China, algemas aliás que provocaram discórdia pelo fato de terem sido empregadas em um dos presos de maior vulto, que teria sido insistentemente obrigado a chamar o delegado de senhor durante a prisão, o que gerou insatisfação na alta cúpula miliciana, alegando intenções premeditadamente humilhantes na ação, conforme divulgou A Tarde. Lembremos da súmula que trata do assunto, sem esquecer a magnitude do crime supostamente cometido.
- Por compor um imbróglio logístico na corporação, o drama abriu espaço para especulações diversas sobre as constantes mudança de nome de unidades, tipos de fardamento, cores de viaturas e demais ações dessa natureza. Se há suspeita, que seja investigada exaustivamente até que se chegue a uma constatação precisa, sem restar dúvidas.
- A justiça tarda e surge a falha, essa máxima trabalhada em um texto sobre a atuação operacional acabou sendo válida na esfera administrativa, o que poderia ser contornado com uma celeridade no que é mais importante nesses casos: restituir aos cofres públicos o que foi desviado, liquidando o patrimônio ilícito através de desapropriações, bloqueios de contas e tudo mais que for possível. Quem sabe como essa verba pudéssemos pagar a cada PM uma bota tática melhor do que a padronizada hoje, ou finalmente liberando uma farda com tecido especial, bem superior ao atual, elevando assim o moral da tropa, devolvendo ao cidadão seus impostos em forma de um serviço mais profissional.
As constatações não param por aí, mas há limites quanto ao avanço alcançado até agora. Amanhã devem haver novos capítulos, soltura dos presos, e mais manchetes sobre o assunto.

sábado, 7 de março de 2009

Infortúnios

Infeliz sequência de infortúnios se abate sobre a PMBA nos últimos dias. Após o espetaculoso escândalo que ainda se desdobra nas capas de jornais, podendo ainda englobar novos nomes ou desandar nos emaranhados judiciais, uma série de tragédias indesejáveis recaiu sobre integrantes da tropa. Ontem comentava-se sobre a morte de um soldado, os tiros que atingiram um outro, e ainda o acidente com uma guarnição completa. Hoje o noticiário amanhece com mais más notícias, a perda de dois sargentos da corporação. Um dos casos ocorreu no final da noite de ontem em Paripe, no interior da residência do miliciano identificado SGT PM Batista, que seria da CIPE-Litoral. O graduado, popularmente conhecido como Jacaré segundo as informações, foi atingido por disparo de arma de fogo na cabeça, suspeita-se de que possa ter sido acidente no manejo da arma ou ainda suicídio - o caso ainda está sendo elucidado. Outra infortuna se deu na saída do túnel Américo Simas, onde o SGT PM Sérgio Luís Ferreira, apontado como sendo do TOR-BPRv, não sobreviveu após colisão do seu veículo Fiesta com um Corsa. Pena termos uma série de infelicidades como essas recentemente vistas, que haja conforto e amparo para os familiares e amigos das vítimas.

sexta-feira, 6 de março de 2009

#2

O ano de 2009 está sendo menos sofrido para a PM no tocante às mortes de policiais, mas o tombamento de 1 único soldado já é motivo de grande lamentação, afinal é a vida de mais um profissional que se vai em decorrência da ação dos bandidos. Hoje, após 7 dias de agonia e esperança, infelizmente foi constatada a morte do SD PM Osni Pereira de Almeida, atingido por assaltantes durante roubo em coletivo. É mais uma perda sofrida para a corporação - ainda que no ano passado, a essa altura, já estivessemos lastimando a 6ª morte de PM, as 2 constatadas até o momento já são suficientemente indesejáveis, sem contar outras infelicidades como os tiros disparados contra o SD PM Dick Rocha de Jesus, da 52ªCIPM/Lauro de Freitas, também em crime da modalidade saidinha bancária quando chegava em sua casa em Mussurunga, após ter saído de agência em Itapuã ontem à tarde. Houve ainda outra infelicidade hoje pela manhã envolvendo uma guarnição da CIPE-Cerrado, que colidiu frontalmente com uma carreta bi-trem durante chuva em rodovia próxima ao município de Luís Eduardo Magalhães, sendo ela composta por um tenente, Adriano e três Soldados PM: Edson, João Paulo e Carlos Araújo, este último ficou preso nas ferragens e fraturou o fêmur, de acordo com a imprensa. Façamos o possível para que dias melhores cheguem para os policiais, evitando o quanto puder a ocorrência de infortúnios como os constatados.

Segue

Apesar da turbulência, a vida continua na corporação. O assunto maior, palpitante em meio à tropa, e ainda "proibido" em alguns quartéis, onde falta abertura de comunicação entre comandante e comandado, não impediu que o serviço de manutenção da ordem prosseguisse, na medida do possível. Além do pronunciamento do senhor Cel PM Mascarenhas, Comandante Geral, na televisão após a entrevista coletiva da SSP, houve uma nota para a imprensa sobre o que foi entitulado Episódio envolvendo oficiais, dando conta da manifestação formal da corporação sobre o assunto. Segundo o telejornal Aratu Notícias 2ª Edição, a Assessoria de Comunicação da SSP alegou serem desnecessárias as imagens do momento da prisão, na Band o governador do estado disse que nem ele havia visto as imagens, filmadas de acordo com a Justiça, e não gostaria de ver a situação se transformando em espetáculo. No Orkut, já circulam diversas charges e montagens sobre o tema. Talvez, temporariamente, haja um certo abalo no poder de barganha da briosa para requerer certas benesses legais devidas, é preciso manter as ações exitosas para reforçar o que se tem de bom a oferecer.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Big Bang

Não há como tapar o sol com a peneira, fugir dos problemas só os torna maiores. Desconversar sobre o que é óbvio e evidente é tarefa para dissimulados, talento que nem todos têm. O que aconteceu está aí, todos os telejornais, rádios e sites noticiaram, certamente amanhã será a capa dos jornais impressos. A perplexidade, o choque, o baque, espanto, surpresa, sentimento de "Eu não acredito" ou até de "Eu já sabia" se espalha pelos quatro cantos. Hoje é um dia ruim, é preciso dar o braço a torcer, mesmo sem querer. Hora de aceitar algumas críticas ao militarismo (doutrina a que sou afeito), não por ela ter algum vínculo direto com irregularidades, mas por ser alvo de eternas reclamações quando à sua eficiência em ser implacável na repressão a falhas como um pequeno atraso, cabelo mal cortado, barba por fazer, continência falha e outras questões disciplinares que não deixam de ser importantes, mas tornam-se minúsculas diante de certos comportamentos. Os erros não deixam de ser erros, mas aquela "miação" do policial na rodovia ficou nanica ao lado do escândalo apresentado, e ainda que a Constituição assegure indistintamente a presunção de inocência antes da condenação irrecorrível, não há como crer que tantos meses de investigação, culminando inclusive no flagrante do recebimento de milhares de reais, seja resultado de algum equívoco sem alicerce. A ambição humana não tem limites, quem mais tem é quem mais quer acumular, seja pelo meio que for. O Diário Oficial do Estado publica para quem quiser ver qual o valor dos ganhos de quem ocupa o maior posto, o soldo é mais de 700, a GAP mais de 5 mil, o símbolo DAS-1, mais de 8 mil, e por aí vai (muito além). Nossa continência é impessoal, visa a autoridade, mas por certo alguns agonizam por terem participado de exaustivas cerimônias ao culto de semideuses análogos ao que a história mostrou como santo de pau oco. Todas aquelas honras, desfiles, condecorações e medalhas tornam-se farelo e pó. São culturas e tradições nossas, desvinculadas às condutas ilícitas, as quais infelizmente são características de muitos brasileiros, vide o envolvimento de várias outras pessoas no fato, inclusive um procurador. Quem não deve, não teme. Parabéns aos executores da operação.
Mas é preciso manter a luz da razão acesa e lutar com toda força pela desvinculação da pessoa à instituição, separando a farda do homem, afinal se todos ou a maioria fossem maus, já estaríamos acabados há muito tempo. Ainda há muita gente boa, de cima a baixo, preocupada em trabalhar de verdade e manter os acertos acumulados em 184 anos. Os homens passam e a instituição permanece, o bom trabalho da maioria deve continuar no próximo alvorecer, é preciso acreditar em um ideal maior. (1, 2, 3, 4, 5, 6...)

Revide

O fato ocorrido ontem envolvendo PFs no IAPI foi destaque nos jornais hoje, uma das vertentes de análise se deu através da crítica à eficiente e imediata resposta das polícias, já havia sido postado ontem aqui que foi uma situação pouco comum na nossa sociedade. Policiais, alguns jornalistas e setores da sociedade queixaram-se da providência diferenciada adotada diante do caso, diferentemente do que se vê quando morre um policial militar, por exemplo. Parte da eficiência se deu em virtude do apoio estabelecido pela coalizão, coisa que nem sempre ocorre quando da morte de PMs ou PCs da Bahia, às vezes as nossas polícias estaduais não se ajudam como deviam nesses momentos críticos, -ficando ainda completamente à parte a Polícia Federal, seja por questões constitucionais, doutrinárias ou, por que não especular, por orgulho. Aliás, destoava a inadequação das vestes dos mesmos, com sapatos e calças sociais que não facilitam o deslocamento, porém é compreensível, não se trata da rotina deles, acima de tudo fica a mobilização em busca de providências diante do que aconteceu. Respostas a atentados ocorridos contra policiais em serviço costumam ser mais rápidas e enérgicas, talvez pela gravidade e repercussão superior que o fato alcance, pela brevidade da comunicação do fato ou outras razões obscuras. Alguns cogitaram que a discrepância se deu pelo fato do secretário de segurança pública ser oriundo da PF, outros, como o "faz-tudo" Raimundo Varela, se preocuparam em levantar suspeitas sobre a ação policial e induzir à crença na inocência dos marginais que tombaram em troca de tiros ao resistir à prisão. Apesar dos distintos comportamentos, é preferível crer que a maioria sabe o que é melhor para si, e ter uma polícia respeitada é prioridade na consubstanciação da sociedade com a lei.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Resultado CFO 2009

Foi publicado há pouco o resultado das provas de vestibular para o CFO 2009, com a lista de convocados e suplentes. Aos que lograram o êxito inicial, parabéns, mas lembrem-se que a vaga não está garantida, faltam diversas etapas eliminatórias e qualquer descuido pode ser fatal. Reler o edital, se dedicar bem ao preparo físico e começar a poupar alguma quantia é indispensável para um bom começo. Aos que não alcançaram a meta, hora de recomeçar os estudos com intensidade que no final do ano há uma nova chance.

PFs

Segundo a imprensa, três policiais federais que entregavam uma intimação na invasão Nova Divinéia, no bairro do IAPI foram emboscados por marginais e um deles foi alvo fatal dos disparos de arma de fogo dos bandidos. Houve repressão imediata das Polícias Civil, Militar e Federal, pelo menos 4 criminosos tombaram em confronto e outros 3 já foram presos. Não foram passados maiores detalhes sobre a ação inicial, se os federais estavam ostensivamente identificados, mas o certo é que a ousadia da marginais ficou patente, criando uma situação pouco comum na nossa sociedade. Lamenta-se pelo resultado pesaroso com a morte do PF, que sirva de lição para estudos sobre os riscos envolvidos na entrega de intimações em áreas de pouca segurança, às vezes o aparato requerido subestima a capacidade dos meliantes da localidade. (1, 2, 3, 4 e 5)

terça-feira, 3 de março de 2009

Gratificação

Não se pode gratificar adicionalmente um servidor pelo mero cumprimento de suas obrigações, sob pena de faltar com a devida moralidade administrativa e, pior, torná-lo um caçador de recompensa, em vez de um profissional responsável. Essa tem sido uma grande problemática do serviço público, aliada ao "problema" da estabilidade, criada talvez para romper com a vulnerabilidade das demissões por manobras políticas, mas que trouxe um efeito colateral em acabar por difundir a improdutividade em certos setores. Passa pela mente de alguns funcionários públicos, em determinadas carreiras, de que ele não precisa demandar qualquer esforço em promover sua própria atualização e continuidade dos estudos, bastaria esperar a mera passagem do tempo para ser promovido e finalmente se aposentar. Há quem creia na ideia de que no final do mês o salário está garantido, então os dias se passam sem que se trabalhe quase nada, só contando o tempo até a data da recompensa a que não faz jus. Um ganho adicional é merecido e estimulante aos que fazem além das suas obrigações, o salário é a contraprestação pelo serviço promovido na medida de sua responsabilidade, não pode ser uma caridade a quem em pouco ou nada colabora com o cumprimento da missão. Nem o excesso em voluntariados gratuitos nem a injustiça em dar menos do que o merecido a quem merece, o ideal é conceder a cada um a medida correspondente às suas condutas.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Estádio

Não pretendia citar o assunto aqui, sobretudo pelas óbvias limitações de tratar de pauta envolvendo oficial estando na minha condição, mas como os comentários do post anterior forçam um manifesto, há necessidade de se discutir, abstratamente, dramas policiais vividos em praças esportivas. Todos os telejornais locais, esportivos ou não, transmitiram as imagens do conflito ocorrido estádio de Madre de Deus ontem, chegando a alcançar o Fantástico e o Jornal Nacional, programas tidos como símbolos máximos do noticiário da TV brasileira. As imagens aparentemente dispensam grandes explicações, mas, como sempre, é inegável o pecado de não se transmitir a ocorrência por completo, demonstrando tudo que os torcedores fizeram antes da PM, ou melhor, de um único PM aparecer para tentar reestabelecer a ordem com uma bravura talvez abusiva, posteriormente apoiado por outra pessoa e mais adiante pelo corpo de PMs que se fazia presente. O procedimento de apuração do fato já foi iniciado, aos demais cabe um estudo de caso visando aprender com os aparentes erros constatados, sobretudo excessos na intenção de aplicar castigo a transgressores, atribuição que não é nossa, mas acabamos por querer exercer, mas isso é assunto para um outro texto que dentro em breve será publicado no Abordagem Policial. Enquanto isso, cabe a nós pararmos para pensar o quanto um agente químico fez falta naquele momento, inibindo o traumático contato corporal e uso da força através de bastão. O gás seria de igual ou superior eficiência, sem deixar traumas ou lesões como ocorrido, mas ainda sofre grande limitação no seu emprego, mesmo em momentos oportunos, conforme visto. Trabalhar diante de torcidas enfurecidas é algo excepcional, a psicologia das massas nos mostra quão perigosa se torna uma turba composta por torcedores de uma equipe. O policiamento em estádios de futebol chega a ser feito de qualquer maneira, fora dos padrões técnicos, já que às vezes recai sobre quem planeja a operação a responsabilidade de milagrosamente providenciar efetivo até muito maior do que o da própria unidade para cumprir a missão, sendo que não se vê na prática a gratificação extra legalmente prevista sendo paga aos policiais, o que certamente atrairia até voluntários para atuar nos estádios, mediante o justo adicional pelo serviço especial desempenhado em seu horário de folga. Quem se arvora a discutir esses assuntos deve ter no mínimo a credencial de ter atuado em eventos críticos em praças esportivas, sou franco em manifestar que abro mão dos comentários cheios de exclamações e letras maiúsculas com emoções desvairadas de algum fanático amador. Antes de tudo é preciso ter conhecimento de causa e avaliar o caso à luz da razão, o poder disciplinar punitivo já está sendo exercido para apurar as falhas, aos demais interessa o aprendizado e evolução que o caso pode proporcionar, melhorando o trabalho da polícia e a segurança da sociedade.

Tapetada

Veja a que ponto chega a demência de adolescentes e adultos país afora, que sem quaisquer resquícios de racionalidade ou juízo em suas mentes, saem às ruas cometendo barbaridades tais quais trogloditas fossem. Têm havido diversos registros de uma modalidade de vandalismo conhecida como "tapetada", que consiste em enrolar o tapete interno de borracha do carro de modo a formar uma espécie de bastão e atingir covardemente pedestres e ciclistas pelas costas, sem a menor preocupação sobre a lesão que será causada e as consequências que poderão advir da provável queda da vítima. O ato repugnante é filmado por muitos dos cruéis autores e exposto no YouTube e Orkut como motivo de orgulho e troféu, talvez aplaudidos pelos demais asseclas de suas quadrilhas, ou até em casa, pelos pais e parentes que fingem não ver o monstro que convive com eles. Crianças, senhoras, trabalhadores, todos podem ser vítimas desses marginais da pior estirpe, cabe a toda população a responsabilidade de vigiar as condutas e denunciar os casos, anotando placas, horários, locais e todas as características possíveis para auxiliar o dever da polícia em reprimir. Agora tente se colocar no lugar de uma guarnição que flagra 4 "playboys" surrando covardemente um idoso inocente nessas condições, intercepta eles e captura a quadrilha... Consegue imaginar o quanto é difícil aceitar a rendição covarde dos marginais e conduzi-los pacificamente até a delegacia, onde talvez se percam longas horas de espera por atendimento e no final os autores saiam sorrindo pela porta da frente?

domingo, 1 de março de 2009

Federais

Encontrei em comunidades de policiais civis no Orkut uma reportagem publicada hoje pelo Correio Brasiliense dando conta de que "Apenas 24% dos funcionários da PF estão satisfeitos com o cargo". Isso mesmo, a famigerada Polícia Federal, sonho de consumo de muitos policiais estaduais, não parece ser as mil maravilhas para quem está dentro dela, segundo a pesquisa. Dados apresentados pela matéria dão conta de que "57,8% dos delegados, peritos, papiloscopistas, escrivães, agentes e pessoal administrativo pretendem deixar a carreira na primeira oportunidade", algo surpreendente para a maioria das pessoas que veem aquela corporação como uma grande meta em vida. Essa falta de apego ao ofício, que torna a profissão um mero trampolim, um momento de trânsito para tanta gente, dificulta a realização de um trabalho mais eficiente no cotidiano da organização. Já se sabia que essa é uma realidade constante nas polícias civis e militares, porém o alcance de tal patamar alarmante em nível federal parece ser uma novidade um tanto desagradável. Boa oportunidade para alguns indecisos reverem conceitos sobre benefício e custo de determinadas carreiras, tentando conciliar interesses salariais com vocação, afinal o diagnóstico é claro de que, mesmo com condições diferenciadas e satisfatórias de trabalho e remuneração, o ambiente na PF não parece ser dos mais ideais.

Circuito

Lendo um dos artigos que manifestam opinião no jornal A Tarde hoje, de título "Hora de um novo circuito", constatei a perigosa afirmativa de que a violência do Carnaval se deve à superlotação de alguns locais específicos, algo que tenho refutado aqui no blog pela comprovação empírica in loco de que a motivação para as brigas é predominantemente personalíssima, partindo da predisposição dos envolvidos, aliando-se posteriormente à oportunidade fornecida pelo local, aglomeração, trilha sonora e outros fatores secundários. No final do circuito Barra-Ondina, a grande concentração se dá na sexta-feira e principalmente no sábado, com picos de público e ocorrências, enquanto nos 5 dias restantes o espaço é relativamente confortável para quem quer contemplar a festa, e as brigas continuam a ocorrer quase sempre com os mesmos grupos, nas cordas dos blocos, entre quem acompanha o trio, permanece no asfalto ou segura a corda. O pessoal que fica na calçada para ver a banda passar quase nunca se envolve em contendas, disso não há dúvidas. O artigo fala de se criar um novo circuito para desafogar o público, uma ideia sempre batida, pertinente e interessante, mas justamente o fator policial é um dos mais complexos nesse sentido, dá para se estimar em pelo menos uns 5 mil PMs a mais para que seja inaugurado mais um circuito, e a corporação não tem de onde recrutar tamanho efetivo atualmente, o que mina quase que em absoluto o plano. O curioso é que no último parágrafo o autor diz "Claro que não entendo nada de Carnaval... e muito menos de segurança pública", o que me fez correr os olhos para saber quem assina, e a surpresa foi ler Jolivaldo Freitas, o mesmo que teve a infelicidade de chamar toda a polícia baiana de frouxa, sendo que alguns leitores erroneamente atribuíram a afirmativa ao secretário de segurança pública, quando na verdade a insinuação pecaminosa foi tão somente do jornalista e escritor que não sabe nada de polícia ou carnaval, mas ainda assim se arvora a comentar com cínica propriedade e tem espaço diferenciado no jornal de maior circulação no estado. Tomara que ele (não) consiga colocar em prática seu projeto de circuito alternativo, preferencialmente sem a polícia frouxa da Bahia, e com bastante espaço para os foliões. A festa dele não duraria minutos. Brincantes.

 
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