quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Diálogo

Através deste blog, pude estabelecer contato com policiais de diferentes estados, conhecendo outras realidades, ampliando horizontes. É, talvez, a grande meta de qualquer blog o estabelecimento de um diálogo, um canal de comunicação para troca de idéias e informações com diferentes ou semelhantes. Mas, a quantas anda essa matéria na Bahia? Infelizmente, ao que tudo indica, deixa muito a desejar. Modéstia à parte, o Blitz Policial e o Abordagem Policial têm servido de espaço aberto para discussões, logrando sucesso no fomento ao debate. Enquanto isso, igual liberdade não é vista, por exemplo, do Blog À Queima Roupa, da jornalista Jaciara Santos, do Correio. Em uma recente postagem, sobre a lei que reestruturou a PMBA, identifiquei um aparente erro, já que a jornalista postou que a lei entrava em vigor no dia 06, quando na verdade ela foi sancionada no dia 06, mas em seu texto expressamente registrou que vigorava a partir de 1º de janeiro. Poderia até ter me equivocado, mas o que não esperava era a sumária censura do comentário, que não foi publicado nem respondido, mesmo constando meu e-mail. Tempos depois, voltei a enviar um comentário, devidamente formal e respeitoso, questionando sobre o assunto, e novamente, nem resposta nem publicação. Hoje tentei novamente, uma semana depois, mas sem acreditar que teria sucesso. A paisagem é de uma jornalista censurando duramente um policial militar - quem diria que viveriamos essa realidade já em 2009? O país está muito, muito mudado.
Outra expectativa não correspondida é a do Blog Almiro Sena, Promotor de Justiça, grande defensor dos Direitos Humanos na Bahia, sempre atuante no Ministério Público, constantemente criticando erros policiais na imprensa. Ontem foi publicado com destaque um texto de Felipe Freitas, acadêmico de direito e militante do Núcleo de Estudantes Negras e Negros da Universidade Estadual de Feira de Santana(UEFS), constando uma pesada crítica à polêmica gerada pela entrevista do secretário de segurança pública, com sérias acusações contra as polícias baianas, como nos trechos "...é, na verdade, um discurso de legitimação do extermínio, uma porta aberta para violação dos direitos humanos e para o acirramento das agressões a jovens negros dos bairros populares por parte do aparato da polícia" ou ainda "...profunda tolerância à tortura, prisão e execução de homens jovens, negros e pobres", bem como "...ele assume toda a sua branquitude burguesa e declara guerra às comunidades populares, onde estariam os grupos inimigos, leia-se os trabalhadores e desempregados, negros", entre tantas passagens onde há uma acusação grave de racismo contra a população, maldizendo o trabalho policial em Salvador. Postei um comentário, que lá pelo menos foi publicado, mas até o momento sem qualquer resposta, alertando que o comandante geral da PMBA é negro, bem como seu antecessor, e também o delegado chefe da Polícia Civil é um negro, o que abala profundamente as incriminações, exigindo explicações.
Modéstia à parte, aqui e no Abordagem o leitor é visto como um parceiro, é respeitado, geralmente recebe resposta quando é cabível, ao contrário do que tem ocorrido em locais onde seria esperada receptibilidade bem maior... É hora de rever alguns conceitos sobre rótulos de vilão e mocinho na nossa história. Vamos abrir espaço para o diálogo, a interação, a boa convivência.

9 comentários:

soldado Souza disse...

Eu já sofri preconceito racial desde que mim formei recentimente usei o que os oficiais mim ensinaram no curso de formação para manter a calma e o controle para não sacar uma arma e abater uma vida sem que seja em um forte confronto... para não jogar minha carreira fora,mais é inssuportavél tudo isso.

Danillo Ferreira disse...

Essas pessoas aderiram ao blog apenas para incorporar o que de “moderno”, “avançado” e “Cult” ele representa. Querem se desvencilhar da pecha de parciais e tendenciosos. Entretanto, recusam se destronar do monopólio da produção de informações, um monopólio que – já não percebem! – acabou.

Ignoram que “blog” é descentralização, participação, formação de conteúdo a partir de vários autores, não apenas o proprietário do veículo de comunicação. Deveriam assumir sua incapacidade de produzir conteúdo participativo e democrático, e continuar com seus monólogos em suas “colunas”, onde os comentários dos leitores são publicados – ou não – em notas de rodapé com letras minúsculas.

No Abordagem Policial, e na esmagadora maioria dos blogs policiais, um comentário só seria cerceado se ofendesse pessoalmente alguém, ou, obviamente, se constituísse crime. É assim que se fomenta a melhoria social através do conhecimento – o que nos faz questionar os objetivos dessas pessoas...

Anônimo disse...

Realmente é um absurdo essa censura!
Mas, me referindo ao texto publicado no blog de Almiro Sena hauahuahuahuauhauhahuahuahahu! Que piada!!!
Em que mundo esse pessoal vive? Será que tudo aquilo que eu aprendi com meus pais, com as pessoas de "bem", e na minha formação profissional está errado? Então eu sou o bandido e os traficantes são as vítimas? A PM é Nazista? Deu um nó na minha cabeça agora uhauhauhauhauha! Meu Deus, acho que vou me prender!

Anônimo disse...

Ainda em relação ao texto publicado no blog do promotor, pq não se faz referencia ao numero de policiais mortos em 2008?
Daqui a uns dias vão querer q seja lavrado auto de resistencia contra ações da policia.

Dafnis dos Santos disse...

Já estou acompanhando blogs policiais desde do começo do Diário de um policial militar e nunca vi censura a comentário de algum, fico espantado ao ver que "Jornalistas" que deveriam atenção a informação não o fazem, já o promotor e o rapaz acadêmico de direito nem tanto a maioria quer mesmo atrapalhar o trabalho da polícia, seja ela militar ou cívil.
E na minha modesta opinião... na Bahia não existe um preconceito racial e sim social, se tem uma coisa que você não pode ignorar é que a Bahia é negra, principalmente no aspecto cultural que tem uma forte ligação com o turismo baiano que é uma das principais fonte de renda do estado em certos períodos do ano.

Dafnis dos Santos disse...

PM nazista? putz nem eu que sou amarelo entrava... meu nariz de batata me condena eAHEAHEEUAHEEHAEHAHEHAEAHEAHUea

Anônimo disse...

Essa questão é um tanto quanto confusa. Logo os jornalistas e estudantes que lutaram tanto contra a ditadura e a casura, hoje dão esse exemplo. Não só pela censura mas pela forma que são tratados assuntos tão delicados, induzindo a opinião pública ao erro...São pessoas sem credibilidade tentando se promover através de assuntos polêmicos. Por exemplo: Quando um artista está sem credibilidade, para se promover ele se mete em algum escandalo. E assim funciona com essas pessoas.

Victor disse...

Diante do quadro que se apresenta com os comentários acima, é inegável que estamos, aos poucos, alcançando um patamar de destaque, que coloca o policial militar em nível igual ou superior ao de profissionais de diferentes áreas, basta fugir de rótulos antigos e analisar a realidade que existe atualmente.

Jaciara Santos disse...

Olá, Victor (antes tarde do que nunca). Surfando aqui na net, me deparei com o seu blog e com um comentário sobre o blog que eu mantinha no Correio* até outubro/2009. O que posso lhe afirmar é que JAMAIS exerci censura sobre qualquer comentário, até porque não tinha controle sobre o processo de aprovação, totalmente feito pela equipe do Correio on line. E essa foi uma das razões que me levaram a criar meu blog independente (www.aqueimaroupa.com.br). Sobre esse, eu tenho total controle. Abraço, Jaciara Santos (jaciara@aqueimaroupa.com.br)

 
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