sábado, 6 de dezembro de 2008

Graduação

Nos comentários da postagem anterior há um breve confronto de idéias ainda em nível salutar sobre a bandeira que alguns defendem, com a proposta de que na corporação só deveria se ingressar como soldado, tema que pode ser bastante discutido.
Se há algo que pode ser observado em alguns militares, sejam bombeiros ou policiais, é um pouco caso à hierarquia. Tem gente que faz piada de ser promovido de soldado para cabo, diz não ver melhoria alguma em ser sargento, estufa o peito para bradar que não faz questão alguma de se tornar oficial. Às vezes o que falta a um profissional assim é a coragem de dar mais um passo e admitir sua inaptidão ao ofício que desempenha; é uma situação também possível entre os postos do oficialato.
Outra observação é a obsessão por questões salariais, talvez o único assunto merecedor de atenção para diversos funcionários públicos. Sabe-se que a remuneração é aquém do merecimento da tropa como um todo, mas tornar isso uma justificativa para a má prestação de serviço, por exemplo, é um expediente bastante indevido. As discussões do projeto de lei infelizmente têm sido limitadas a esses temas, que apesar de altamente relevantes, não podem relegar ao esquecimento as alterações administrativas, estruturais, criações de companhias, desmembramento de batalhões, mudanças de nomenclaturas, entre tantas outras reformas previstas neste plano de reestruturação.

10 comentários:

Emmanoel Almeida disse...

Admitindo q nossa remuneração está aquém do merecido, naturalmente q o fazemos em função dos riscos de nossa carreira. Só q qualquer valor seria aquém. Não se pode valorar eficiente e pecuniariamente riscos. Às vezes nós esquecemos q emprego tá difícil!!! Mta gente aí com Pós, mta mesmo, gostaria de ser Soldado da PM, e mtas sabendo até de nossas dificuldades. Conheço vários gerentes de empresas, q gozam de posição social privilegiada e ganham menos que um Sd PM. Então nosso problema ñ é salário. Pq então esses gerentes estão tão motivados e nós não? Pq um funcionário de uma empresa particular é tão bem apresentável, assíduo, proativo etc, e um policial-militar ñ é? A questão esbarra n'outras coisas.
Fui Soldado e hj sou Aluno-a-Oficial. Penso q foi mt importante minha passagem pelo cargo, mas ñ imprescindível. Esse argumento d q td Oficial deveria ter sido Praça já "caiu de moda", à baila da argumentação. Ao revés, daqui a pouco, teríamos que USAR MACONHA E COCAÍNA, para entender como funciona o tráfico de drogas, para posteriormente efutuar prisões! Ora, como eu vou atuar numa área q ñ sei direito como funciona??? Observe q é o mesmo argumento, mas n'outro plano apologético objetivo. Já pensou? Vamos aqui sensurar o Engenheiro Civil pq ñ foi pedreiro! E outra: tem que ter sido tb Ajudante. Vamos aqui sensurar o Médico pq ñ foi Enfermeiro! Vamos aqui sensurar o Gerente de Vendas pq ñ foi Vendedor... daqui a pouco se sensura até mesmo o Dono da fábrica pq ele ñ sabe vender... A realidade é q ñ é fácil para um Sargento chamar um menino novo de Senhor. Não é mesmo! Mas tem q chamar,é militarismo. Torne-se um Oficial e faça o Vestibular da UnEB q é mais concorrido q Medicina. Uma coisa é certa: qdo eu era Soldado, eu sabia bem Fazer. Hj, além disso, eu sei o Porquê Fazer. O Oficial está num plano superior q vai do nível gerencial até o institucional, a depender do Posto. O nível da Praça é o operacional. Tem q ser valorizado, claro. Mas ñ deve se exigir q haja inversão de deveres.
Qual é o conhecimento de uma Praça q um Tenente do mundo civil ñ pode alcançar??? Q conhecimento inalcançável é esse, rs? É Direito Penal? É de Tiro? É de Gestão de Pessoas? É d q realmente? Pq um Tenente, nas configurações de hj, passa 3 anos da Academia, trabalhando em contato com várias UOp's, experiências de vários eventos especiais, com td embasamento teórico necessário. Depois passa mais 1 ano como Aspirante na UOp, passando em todas as seções da Unidade, e já em contato com o POG. Eu gostaria de saber qual área do conhecimento inalcançável é essa pra se exigir ter sido Praça...

Divaldino disse...

Concordo com o Emmanoel, e me apego um pouco ao que foi tratado anteriormente e ao que ele falou no início.
A respeito de carreira e salário. O Emmanoel tem conhecimento de causa pra falar sobre a atividade e as dificuldades dos praças, e é com base na minha experiência como praça (não na PM), que acho tudo isso uma questão de falta de perspectiva na carreira dos Soldados da PM. Ao passo em que o cidadão entra na instituição sem qualquer expectativa de promoção e de melhoria de sua qualidade de vida, devido à falta das graduações e conseqüente estagnação das promoções, a única coisa que resta a apegar-se é alcançar o oficialato. Quando servi às FA, o objetivo (da turma como um todo), era chegar à graduação de 3º Sgt, e desfrutar do respeito, da estabilidade e melhoria salarial que o cargo traria. Lembrando-se que lá, um 3º Sgt ganha quase o triplo de um Sd. Entendo até certo ponto a insatisfação dos praças da corporação, e considero o retorno de todas as graduações como solução para vários problemas bastante abrangentes, desde desmotivação até indisciplina. Nos quartéis e navios por onde passei, ninguém queria ser punido, pois não queria ter sua promoção atrasada. Isso ajuda muito na disciplina. Seria bom que todos prestassem um bom serviço com orgulho pelo que está fazendo, mas como isso não acontece, devemos ter mecanismos para garantir. Não estou justificando problemas de indisciplina, apenas apontando maneiras como vi esses problemas (e outros), simplismente não acontecerem. Espero que tenham me entendido.

José Ricardo disse...

Realmente, ter sido soldado não é condição sine qua non para ser um bom oficial. Talvez seja importante para a experiência profissional, para o crescimento pessoal do militar, mas não é imprescindível.

Anônimo disse...

Caro Emmanoel,

Concordo plenamente que o problema da PM, não é apenas questão salarial, pois falta motivação e valorização profisional para esses profissionais que arriscam suas vidas em prol da manutenção da Ordem Pública e que em troca recebem do governo projetos de lei eivados de retrocesso que em nada melhoram as suas vidas e que muitas vezes lhe tiram direitos antes assegurados. Em relação a comparação do militar com o civil, ou seja do gerente com o policial, discordo plenamente, uma vez que, o policial militar é militar em qualquer circunstânçia, correndo risco de morte a todo instante enquanto que o gerente de empresa irá desfrutar do aconchego do lar sem ao menos ter que se preocupar com sua vida ou de seus familiares, Acredito que o amigo esqueceu-se do tempo em que era Sd PM e das ordens muitas vezes extravagantes que teve que cumprir, como sair para o serviço com colete vencido ou munição precária, sem falar em outras atrocidades. Sei que talvez tais fatos não justifique, mas acaba explicando o motivo da tropa não ser tão apresentavél e proativa como um funcionário de uma empresa, haja vista que a realidade é totalmente diferente.
Outro specto observado é a questão do Oficial ter que vim ou não da base hierarquica, sou a favor de que se cumpra a Democracia não importando se o oficial PM é de academia ou oriundo da base hierarquica o que não entendo é o descaso com o praça que possui nível superior e não é aproveitado pela PM para ingressar como oficial de carreira.

Victor disse...

Durante o CFO, os alunos-a-oficial convivem com problemas idênticos ao relatado pelo anônimo acima, a falta de coletes foi motivo de grande problema nas eleições quando a tropa foi empregada, a precariedade das munições mais ainda, tudo buscado mediante muito esforço e manifestação, devidamente disciplinada, por parte dos alunos. A realidade de fora não é tão distante da escola, engana-se quem supõe haver condições ideais na formação dos oficiais. Se alguns esquecem do que passaram depois que se formam, o problema já é outro.
E quanto ao nível superior, ainda tenho dúvidas sobre se deve ser tão valorizado assim internamente. Pode ter um PM com nível médio altamente disciplinado, de conduta irrepreensível, especialista nas atividades que desempenha, sem contar com diploma algum. Outro que não tem assiduidade, falta ao serviço, "aplica o macete", demonstra total descompromisso com a causa policial, focando apenas em sua faculdade com prejuízo ao serviço público, ao meu ver não é merecedor de qualquer mérito.
Nada contra aquele que cursa o nível superior, muito pelo contrário, deve ser até estimulado, mas em primeiro lugar virá sempre o que a corporação espera dele enquanto soldado, sargento, aspirante, coronel ou seja lá o que for.

Anônimo disse...

Acredito também que não importa se o militar cursa ou não nivel superior, quando se tratar de disciplina, conduta, ética, assuidade entre outros, até porque o estatuto da PM existe para punir e regular tais desvios de conduta, independente da formação do militar seja ele de nivel superior ou não, pois o caráter do individuo não se mede pelo seu nivel de conhecimento e sim pelo seu modo de agir, porém o que torna-se inadimissivél é o não aproveitamento de pessoas que buscam crescimento profissional fora do meio policial e que com toda certeza poderiam agregar potencial para Instituição e que acabam não sendo valorizadas e até mesmo desestimuladas a continuar a vida militar. É realmente uma pena que tal fato seja uma realidade, pois acredito que aquele que busca conhecimento e crescimento profissional somaria muito para a nobre Instituição, já que seria até incoerente da parte do militar da base hierarquica que possui nível superior não almejar crescimento dentro da própria PM. O que existe de fato é falta de interesse em tornar realidade algo proveitoso e lógico para a Instituição e para os profissionais capacitados, muitos merecedores de mérito, pois sabemos a dificuldade de crescimento dentro da instituição, principalmente para os praças, que não tendo outra alternativa acabam por abandonar a nossa briosa PMBA, buscando aplicar os seus conhecimentos em outras instituições que valorize o seu potencial. "Democracia ainda que tardia."

Victor disse...

Às vezes o não aproveitamento pode ser fruto da inadequação do diploma em relação à atividade que o PM se dispôs a executar quando ingressou através de concurso. Não imagino como explorar melhor a pós-graduação em bioquímica de um motorista de viatura, ou a tese de mestrado em geologia do policial que tira quarto de hora na guarda. O ideal é que ele se especialize no seu serviço, através de leituras, estudos e cursos diversos, e se a intenção é ter nível superior, o mais adequado seria o CFO, esse sim aproveitado pela corporação na distribuição de funções. Para os próximos 3 anos há 200 vagas em cada, sem limite de idade para os PMs, vale a pena fazer.

Anônimo disse...

O comentarista acima mostra ser uma pessoa inteligente, pois em alguns momentos neste espaço de cunho democrático, fez avaliações e comentários bastante pertinentes no que diz respeito a questão da PMBA, porém deveria deixar de ser tão egocêntrico e olhar menos para o prório umbigo e passar a analisar de forma imparcial e impessoal as reais dificuldades da tropa e usar a sua inteligência em prol de melhorias significativas para PMBA, colocando se como um mediador das relações entre praças e oficiais evitando assim o aumento da segregação na Instituição que é composta por uma única classe, a dos Policias Militares do Estado da Bahia e não por classes distintas, uma vez que, a PM é um orgão estadual formado por cidadãos que apesar de ter como pricípios basilares a hierarquia e disciplina devem respeitar-se mutuamente, buscando sempre o melhor para a Instituição, bem como para os seus próprios integrantes dando lhes oportunidades reais de crescimento, bem como o constante aperfeicoamento e motivação. Acredito que se o supracitado comentarista olhar de um plano superior e conseguir observar sem o manto conservador e ingessado da atual estrutura militar, irá ter consciência, que a valorização do profissional da PM é umas das soluções para o problema da mesma, com toda certeza será um grande lider dentro da tropa. No que tange a inadequação de alguns diplomas em relação a atividade policial o caro comentarista, foi muito radical em colocar como exemplo de incompatiblidade com a atividade policial militar o cidadão que possui pós - graduação em bioquímica como motorista de viatura e outro que possui mestrado em geologia cumprindo quarto de hora, esquecendo-se de mencionar aqueles que possuem graduação em Administração, Economia, Ciências Contábeis, Direito, Medicina, formações estas que se compatiblizam perfeitamente na área administrativa da PM, como: DA, DF, Corregedoria, Departamento Médico, sem contar outros setores do orgão. Em relação as 200 vagas para o CFO, reconheço que houve um avanço significativo no que diz respeito a não exigência do limite de idade, dando oportunidade àqueles que pertencem a base da tropa. Vale a pena fazer, principalmente para aquele que tem afinidade com a atividade. No entanto a grande maioria do mundo civil inscreve-se não por afinidade, mas pela estabilidade econômica, que não é o caso do nobre comentarista, por isso o alto indice pela procura do curso, superando até mesmo a concorrência de cursos como Medicina e Direito. Abraços!

Victor disse...

Nessas horas é que parece fazer muita falta o quadro complementar, há muitos oficiais e praças que anseiam desempenhar funções administrativas, alguns com destacada competência, mas todos sabendo desde a matrícula no concurso que concorriam a vagas para um quadro de "combatentes", que por regra são formados para a execução de policiamento ostensivo, a atividade fim, e excepcionalmente em funções administrativas, a atividade meio.

Anônimo disse...

Toda atividade fim necessita logicamente da atividade meio, visto que para que exista o emprego do combatente no terreno, especificamente na área militar, deverá existir também por trás uma estrutura administrativa que organize a forma, os meios necessários, a oportunidade e conveniência para que sejam executadas determinadas ações, por mais simples que sejam, desde o policiamento ostensivo ao controle organizacional. Contudo ainda que a atividade meio seja considerada excepcional dentro da corporação a mesma possui também sua importância para o emprego da atividade fim. Desse modo, ainda que ao ingressar na carreira militar o individuo tenha conhecimento que o serviço é basicamente operacional, não poderá deixar de lado nem se eximir das funções administrativas que pelo que me consta são ministradas dentro dos cursos de formação tanto de oficiais quanto de praças. Acredito que não vai ser preciso contratar terceirizados "civis" para desenpenhar funções administrativas que requerem conhecimento técnicos na área militar.

 
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