domingo, 23 de março de 2008

Em serviço

Notícia do portal Terra divulga que em "SP: PMs são mortos mais em folga do que em serviço". Não conheço dados aprofundados da Bahia, mas a situação com certeza é bem semelhante, e, assim como é dito no texto, também por aqui grande parte desses óbitos ocorre enquanto o policial exercia atividade de "bico", exercício normalmente praticado como forma de reforçar o orçamento; também facilitado, em alguns casos, pelas escalas que deixam longa folga. É uma circunstância arriscada, uma vez que dificulta o amparo legal em caso de envolvimento com ocorrências, visto que o serviço prestado não corresponde ao legítimo; há também a condição de maior vulnerabilidade, por estarem geralmente desacompanhados, o que acontece com menor frequência quando em serviço. De 8 casos cujos dados armazenei relativos a homicídio perpetrados contra PMs da Bahia este ano, 5 ocorreram fora de serviço, e 3 não, indicativo preliminar condizente com os divulgados na pesquisa de São Paulo. Existem "bicos institucionais", escalas extras, operações em que o policial trabalha no que seria sua folga, sendo remunerado para tal e certamente com melhores condições do que em práticas informais; é uma iniciativa positiva que pode e deve ser incentivada.

2 comentários:

Unknown disse...

Autor, fico muito feliz por vc ter abordado um tema sério, concordo em quase tudo que vc diz, menos quando vc coloca a grande forlga do PM como causa do bico. O que causa o bico , na verdade é um salário de fome que é subjulgado e submisso. Aqui na PMAM existe a GTE(Gratificação de Trabalho extra) que pode chegar até 45% dos vencimentos do PM, no início a 7 anos foi uma maravilha, mas agora o que vemos é até coronéis querendo ficar na ativa por causa da GTE, e o que é pior, ak existe uma lei de reserva compulsória. temos que lutar pelo reconhecimento de nossa profissão, principalmente com remuneração decente e condizente com o serviço que prestamos, e diga-se de passagem, não é um mal serviço. imagino como seria o carnaval de salvador sem os serviços da PMBA

Anônimo disse...

Tens razão no que dizes, mas no caso de algumas escalas em que se trabalha 24 horas e folga 72, é ócio em excesso, acredito sim que acabe influenciando. No mais, realmente nem tudo são flores, há problemas como o citado no comentário, ninguém vai querer "largar o osso", e o mais certo seria mesmo pagar um salário digno, mas enquanto não acontece, que sejam buscadas soluções viáveis e seguras dentro do possível.

 
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