domingo, 9 de novembro de 2008

Fake

Já há alguns meses, pelo menos desde maio, surge esporadicamente um texto atribuído à agência de notícias France Presse dando conta de suposta militarização nas polícias estaduais americanas, citando como base o modelo brasileiro. A despeito do conteúdo inusitado e improvável, há uma série de razões para elevado grau de suspeição sobre a veracidade do conteúdo, a destacar:
- Há passagens em que a grafia nitidamente destoa do tradicional utilizado pela imprensa, como em"...Agem com policiamento ostensivo e fardado (ou não) e têm hierarquia...";
- Além da necessidade de reforçar repetitivamente que o conteúdo trata de referências, com dois parágrafos iniciando-se por "De acordo...", há em um mesmo trecho a repetição de "Para ele" e "Segundo ele", o que deve indicar insegurança de quem escreve, fazendo questão de reforçar a opinião alheia como respaldo, fugindo novamente aos padrões normais;
- O tal Bill Donstway, quando buscado através de sites de pesquisa, não consta com nenhum registro, exceto desse próprio texto suspeito;
- A própria reportagem, ao ser pesquisada, só encontra repetição em blogs particulares e páginas de pouca confiança, sem ter sido publicada em qualquer grande portal de notícias ou site de maior credibilidade;
- Não há um link que leve à postagem original, apenas repete-se o lido em e-mails, blogs ou comunidades no Orkut;
- Uma das poucas críticas formais ao texto é do Coronel da reserva da PMMG Flávio Luizi Lobato, que não dá indícios suficientes para se confiar na matéria;
- Com o destaque da SENASP no panorama atual, passou-se a divulgar que a mesma teria entregue o texto à IGPM/COTER (Inspetoria-Geral das Polícias Militares - Comando de Operações Terrestres), o que não consta ostensivamente na página oficial da secretaria;
- Enfim, há indícios suficientes para a desconfiança quanto à veracidade do que está sendo propagado. Não parece ser o suficiente para assegurar a falsidade definitiva do conteúdo, quem quiser que acredite gratuitamente no que está escrito. Quem encontrar mais sinais de erro ou provar que é realmente verdade o material, esteja à vontade para ponderar.

3 comentários:

Ronald disse...

Creio que o próprio conteúdo da matéria aliado ao processo de formação das polícias norte-americanas faz com que a matéria seja suspeita desde o primeiro instante. Ainda mais quando se toma como referência o sistema de policiamento brasileiro, que nunca foi destaque internacional pela sua eficiência e diversas vezes foi bombardeado nos órgãos internacionais de direitos humanos.
Embora não se possa confirmar a veracidade das informações ainda não temos como dizer que é mentirosa.

Eduardo disse...

Desde que li pela primeira vez o texto, que foi posteriormente reproduzido inúmeras vezes como forma de embasamento de opinião (como se tivéssemos realmente que copiar tudo que vem dos EUA...), não dou credibilidade à suposta notícia.

Como você, pesquisei muito, de todas as formas, para encontrar a origem do texto. Não há indícios na rede, nem da pessoa que teria escrito a matéria para tão importante serviço de imprensa, o que me levou a uma conclusão: ou essa pessoa fez uma única matéria jornalística na empresa, ou ela não existe.

É o velho ditado, acreditamos no que queremos acreditar. E mesmo querendo, não faria diferença prática, a não ser para a promoção de debates; porque deu certo em um lugar tem, obrigatoriamente que dar certo em outro?

Enfim, nunca postei nada a respeito porque não dou crédito à fonte, nem tampouco fiz abordagem semelhante à esta do Blitz por receio de ser taxado como combatente gratuito da pensamentos diversos e corporativista, caso um dia seja validado o informe. Preferi não arriscar lá no CdP, como faço muitas vezes, evitando comentar determinados assuntos, porque prego a união de tods que labutam na segurança, em detrimento do distanciamento inevitavelmente provocado por pensamentos corporativistas.

Por oportuno, aproveitando que recentemente tive a oportunidade de comentar aqui no Blitz, quero manifestar-me dizendo que comentou pouco por aqui pois me sinto incapaz de debater os assuntos levantados, pela particularidade do nicho. Sei que o autor deste e do Abordagem são exemplares profissionais, em cujo sangue que corre na veia está abrigado o sistema militar. Daí que minha capacidade de argumentação para debater torna-se diminuta, já que provavelmente vou "falar como o povo fala", sem saber exatamente o que critico ou elogio. Privo-me, e congratulo pelo perfil que me permite entender como funcionam as coisas por aí ;)

Victor disse...

Vejo que não sou o único a questionar o que foi apresentado Ronald, bom sinal.
Ao Eduardo, agradeço pelo comentário, bastante gratificante as palavras.
Desde que li esse texto em maio, suspeitei de cara, mas também preferi não postar nada. Contudo, de lá para cá fui percebendo mais sinais da falta de credibilidade, e hoje ao ver ser reportado com mais alterações ainda, resolvi manifestar a desconfiança.
Já deixei claro em outras postagens aqui e no Abordagem a recusa à aceitação pacífica do que vem de fora como se fosse o melhor para nós, sem bairrismo ou patriotismo cego, mas com a luz da razão à frente.
E finalmente, também sou dos que disseminam a idéia da boa convivência entre policiais civis e militares, acima de quaisquer vaidades, em prol da melhor prestação de serviço. Também tenho minhas reservas a comentar assuntos da PC por reconhecer minha limitação de conhecimento. Vamos em frente!

 
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