quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Estatísticas

Como prometido, uma postagem avaliando criticamente as estatísticas apresentadas sobre crimes durante o carnaval. Pois bem, a grande maioria dos dados repassados sobre ocorrências policiais nos circuitos de Carnaval servem como um norte para balizar o acompanhamento dos níveis de violência, mas estão longe de corresponder à realidade. Não que isso ocorra necessariamente por conta de algum tipo de "maquiagem" dos dados, ou que seja premeditado, apesar da possibilidade, mas o fato é que boa parte das intervenções das patrulhas não resulta em uma condução à delegacia, apesar da constatação do cometimento de algum ilícito. Isso se dá, geralmente, em virtude do demasiado tempo dispensado para a lavratura de um termo circunstanciado ou auto de prisão em flagrante, consumindo horas do efetivo que, ao se deslocar para os postos, deixa a área desassistida, e cada patrulha "perdida" é uma lacuna no planejamento realizado. Isso leva à constatação de que, possivelmente, um aumento do número de policiais civis e militares nos circuitos poderia, paradoxalmente, elevar os registros nas delegacias, já que o atendimento se tornaria mais célere e a patrulha envolvida faria menos falta no terreno. Inúmeros furtos deixam de ser registrados por desinteresse das vítimas, muitas brigas não resultam em boletins pela falta de uma das partes, ou ainda pela indisposição ao prosseguimento exposto pelos envolvidos. Até o consumo de pequenas porções de droga às vezes deixa de ser documentado devido ao desgaste e certo "prejuízo" que provoca, comprometendo a correspondência entre os números e o que de fato aconteceu, além da falta de formalização do envolvimento das pessoas com condutas delituosas.

2 comentários:

Na Moita disse...

Victor, sugiro o seguinte: que a patrulha faça o deslocamento com o (s) envolvido(s) e que haja uma comissão de policiais militares nos postos de registro de ocorrências, treinados para absorver a situação e apresentar; liberando assim a patrulha de permanecer por tempo indeterminado nos postos.
Mesmo que seja necessário ajustes temporários na legislação por causa do momento carnavalesco.

Victor disse...

Essa seria uma das alternativas, mas é inviável. Coincidentemente, estive conversando ontem com um delegado do alto escalão da PCBA justamente sobre quais procedimentos da PM deveriam ser revistos para aumentar a sincronia no Carnaval, e um dos tópicos levantados foi a apresentação de presos por condutores que não presenciaram os fatos, o que às vezes resulta na total impossibilidade de autuar o conduzido. Quem pega a ocorrência obrigatoriamente deve ir até o fim com ela, porém muitas vezes não é necessário que toda a patrulha permaneça na delegacia. Neste ano, a APM pretende testar um procedimento novo, em que durante o registro no posto policial permaneça somente o comandante e mais um patrulheiro, liberando os outros 3 para retornarem ao circuito integrando outra patrulha, até que a situação seja solucionada e se retorne à formação inicial.

 
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