sábado, 11 de abril de 2009

Disputa

Devem ser eternas as rivalidades surgidas entre administrativos e operacionais nas polícias. Há aqueles que atuam exclusivamente nas ruas, por inaptidão para a burocracia, e também os que ocupam salas pela falta de familiaridade com o combate. Nada mais natural, é um tanto problemática essa linha de pensamento que sugere que o policial seja capaz de apurar feitos, apagar incêndios, negociar com sequestrador, fazer licitação, descer montanhas de rapel e levantar estatísticas, "tudo ao mesmo tempo", sem se especializar e se dedicar com mais afinco a um determinado ramo. Talvez se devesse selecionar essas divisões já na escola, ou quem sabe no próprio processo de admissão, criando quadros que tornem o policial um profissional em determinada área específica, já que ainda é possível ver migrações de operações especiais para bombeiros, de unidades táticas para Casa Militar, de batalhões operacionais para o quadro de saúde, entre outras reversões drásticas, por opção, por castigo, por vantagem pessoal e demais razões. É verdade que há aqueles suficientemente flexíveis a ponto de desempenhar várias funções com notável excelência, mas muitas vezes as mudanças bruscas e as classificações em funções para as quais não se tem disposição podem dificultar o rendimento e a produtividade.

2 comentários:

José Ricardo disse...

Falei a mesma coisa no Universo Policial, só que da minha forma, prolixamente. Muito boa sua postagem. Sucinta e objetiva. Um dia eu chego a esse nível.

Divaldino disse...

Desde que entrei na PM, que achei esquisito o fato de os sargentos não possuírem nenhuma especialidade. Estava acostumado a ouvir falar em sargento artilheiro, sargento eletricista, sargento escrevente, e com certa estranheza fui constatando o amadorismo com o qual a PM trabalha, se valendo de características pessoais e qualificações individuais adquiridas "extra-PM". Não me considero um estudioso e/ou especilista no assunto, mas falo com uma certa propriedade de quem viu esse sistema funcionar nas F.A.
Espero que um dia não precisemos procurar um oficial que tenha cursado contabilidade para trabalhar no DF; ou um praça que tenha sido fuzileiro pra ser armeiro.
Temos que nos profissionalizar.

 
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