quarta-feira, 30 de abril de 2008

FNSP

Crescem os rumores de debates acerca de possível convocação da Força Nacional de Segurança Pública para atuar em Salvador-BA, em decorrência dos elevados índices de crimes constatados ultimamente. Desde ontem jornais locais divulgam reportagens sobre a alta criminalidade em bairros como Imbuí, além de confrontos intensos entre polícia e bandidos, e ações ousadas no interior do estado. Sabe-se que a FNSP é bem treinada, qualificada e equipada, contando com policiais da elite de diversas corporações do país, além de dispor de armamentos, viaturas e acessórios em quantidade e qualidade satisfatórios. Parece ser a tropa ideal para cuidar de eventos como o PAN, mas o exemplo do Rio de Janeiro também demonstra que o sucesso não parece eficiente no combate ao crime nos morros, por exemplo. Então, será que as conseqüências positivas estão vinculadas ao que a Força é ou tão somente ao aumento de efetivo empregado no policiamento ostensivo? Tenho minhas dúvidas se, por mais técnicos que sejam, policiais militares de rincões distantes no país teriam know-how adequado para adentrar certas localidades da cidade. Parece plausível experimentar um incremento no emprego das tropas especializadas que desempenham bons serviços hoje (ROTAMO, RONDESP, GARRA, GÊMEOS, etc.), através de regime de horas extras ou outras compensações, bem como na parte da Polícia Civil, avaliando-se estatisticamente o resultado. Por muitas vezes a FNSP parece representar mais uma intervenção de polícia política do que operacional.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Maconha

Há previsão da Marcha da Maconha em Salvador no domingo (4 de maio), e o Ministério Público requereu a suspensão da mesma. Discussões abertas sobre a legalização desta droga são polêmicas e certas manifestações podem acabar sendo interpretadas como crimes. O blog Somos Praças também falou do acontecimento, só que na cidade do Rio de Janeiro, onde parece programar-se uma "contramarcha". São debates que envolvem decisões que dizem respeito a tratados internacionais sobre o tema, o que acaba dificultando a adoção de qualquer medida, mas precisam ser pensadas com racionalidade. O álcool traz prejuízos infinitamente superiores aos vinculados a esta erva, e pouco ou nada se tem feito na intenção de desestimular o consumo do mesmo; muito pelo contrário, cria-se uma cultura de bebedeira nos comerciais, outdoors, propagandas, músicas e em diversos meios de comunicação, sendo este o motivo de piadas até mesmo contra o presidente da república. O estereótipo do usuário da maconha é o mesmo na cabeça da maioria das pessoas, resta saber o que se passa no imaginário de cada um ao pensar sobre o alcoolismo. Reafirmo que, assim como fizeram com o cigarro, no caso do álcool, proibir a propaganda parece ser uma medida eficaz nesta intenção, resta convencer a opinião pública, a política, o lobby das empresas...

segunda-feira, 28 de abril de 2008

ROTAs

Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, este nome tem tradição no Brasil, principalmente em São Paulo. Trata-se de uma tropa especializada de fama conhecida, cujo nome costuma ser remetido a situações críticas. Muito já se foi trabalhado sobre o desempenho de ações repressivas deste grupamento durante a ditadura, o que motivou a edição de dois livros voltados diretamente ao assunto: ROTA 66 - A história da polícia que mata, cujo autor é o jornalista Caco Barcellos, e Matar ou morrer, do Capitão Conte Lopes, hoje deputado. São obras que vale a pena tomar conhecimento, sendo que a segunda foi trabalhada em boa parte como resposta à primeira, citando até passagens e páginas para apresentar nova versão. Aparentemente ambas se excedem na adjetivação dos feitos, cabendo ao leitor o equilíbrio comparativo para estabelecer sua visão sobre as ocorrências reproduzidas e a imagem da unidade no todo.

domingo, 27 de abril de 2008

Paradoxo

Diz-se que em países de cultura estranha à nossa, como o Canadá, sequer passa pela cabeça do policial a hipótese de exigir propina, bem como do cidadão em oferecê-la. Não estive lá para assegurar a veracidade nem provar o contrário, mas a cada dia me convenço de que o senso local é de tolerância e aceitação desta prática. Em público, a maioria se manifesta de acordo com os ideais morais, condenando a conduta, mas de modo íntimo, desde simples condutores a motoristas profissionais, no âmbito do policiamentode trânsito, muitas vezes o que se quer é um "acordo entre as partes", de tal modo que haja a ilusão de beneficiar o infrator e o corrupto, com o gostinho especial de lesar o Estado, quando na verdade a todos rendem-se prejuízos. Há motorista que deixa de cumprir a lei e quer uma oportunidade de gastar menos e não dever satisfações formais, há policial que intenta reforçar o orçamento por meios ilícitos e há uma sociedade que pretende se vingar do governo. O resultado disto é a desconstrução de valores, comprometimento do Estado de Direito, tencionado pela recompensa instantânea (e ilusória). Depois tem condutor que acha feio, errado, tem também policial que sente peso na consciência, mas, consumado o ato, é pouco provável que, invertendo-se os papéis, o resultado fosse diferente. Conforme o exemplo, o primeiro, se fosse autoridade, possivelmente aceitaria a vantagem ilícita, e o segundo, na circunstância de infrator, ofereceria ou aceitaria render-se à paga escusa.

sábado, 26 de abril de 2008

Oxigênio

Costuma-se dizer que os recém-chegados são o oxigênio da tropa, e em verdade, na maioria dos casos, carregam uma alta carga de vibração. Hoje foi divulgado o resultado do exame psicológico para o curso de formação de oficiais, registro a observação de que, assim como no ano passado, o índice de reprovados inicialmente esteve em limites toleráveis, enquanto há 2 anos, no meu concurso, curiosamente ficou na faixa acima de 50%, algo estranho. Mas voltando ao tema inicial, apesar de um provável desinteresse na plenitude do ofício policial militar, é de se esperar que estes futuros alunos renovem a vibração na Academia, conforme está ocorrendo em tantos núcleos que estão a formar os recrutas desde terça-feira, preparando os futuros soldados da corporação. Vê-se orkut afora que muitos estão em pleno vapor, satisfeitos em ralar, correr, aprender as práticas corriqueiras e até mesmo fazer faxina ou cumprir certas punições alternativas. É bom ver este vigor, o lamento é a efemeridade em boa parte dos casos, a desolação acaba contaminando grande parte do efetivo, que não mais sustenta o moral elevado.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Aparências

A apresentação pessoal é o cartão de visitas do policial, ainda que não se chegue a conhecê-lo ou ter qualquer contato, prevalecerá a imagem mentalizada do aspecto em que ele se apresenta. Isto acaba por significar que o policial obeso, maltrapilho e descuidado denotará um aspecto de despreparo, desleixo e indolência. Em contrapartida, o policial bem uniformizado, em boa forma e zeloso indica sinais de capacitação, zelo e prestatividade. Há quem chegue a se assustar com a figura dos mais altos e fortes, que ostentam brevês e manicacas no uniforme, além de equipamento diferenciado, chegando a sugerir uma suposta intenção de arbitrariedade.
São determinismos estereotipados e precipitados, apesar de em muitos casos terem real fundamento por trás disso, não se pode caricaturá-lo de tal maneira, seja subestimando ou superestimando. Só a convivência contínua e observada vai permitir conhecer o verdadeiro caráter revestido por aquele invólucro, de tal modo que tanto pode surgir do franzino uma bravura desmedida, quanto do colossal uma covardia inesperada.
Que o dito aqui não seja compreendido como reverência ao descuido, jamais. É tão somente o pleito pelo acatamento de uma oportunidade para que o profissional demonstre o que realmente ele é, ainda que o que ele pareça ser signifique bastante.

Foto: Arestides Baptista/A Tarde

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Dez

Cumprindo a missão paga pelo Abordagem Policial, tratarei brevemente em 10 tópicos sobre tema relacionado à segurança pública, mais especificamente aqui medidas razoáveis que não estão ao alcance dos policiais, mas poderiam trazer resultados eficientes.
1 - Proibir propaganda de álcool: o forte lobby das empresas dificulta a adoção da medida, que certamente teve eficácia no tocante ao cigarro, apesar deste não trazer conseqüências significativas à segurança, extremo contrário do álcool.
2 - Avaliar a legalização do comércio de certas drogas: seria uma medida de interesse para aumento de arrecadação de impostos, geração de empregos, controle de qualidade e sem dúvida enfraquecimento significativo do tráfico, mas até mesmo legislações internacionais impedem esta discussão.
3 - Melhorar a iluminação pública: coadunando com idéias da teoria das janelas quebradas, um ambiente mal-iluminado, sujo e descuidado favorece e até estimula a prática de crimes.
4 - Incentivar o civismo: uma população mais patriota pensaria duas vezes antes de buscar lesar de qualquer forma a nação, deixando de ser brasileiro para ser brasiliano.
5 - Aproximar a educação da segurança pública: inserir nos currículos escolares desde o primário matérias que tratem do código penal, fazer visitas a presídios, e outras formas de trazer o tema da segurança mais para perto.
6 - Controlar a imprensa: não censurando ou impedindo a liberdade, mas com fiscalização contínua para impedir excessivos erros ou danos indevidos.
7 - Reformar leis: há quem concorde que os códigos e a própria Constituição concedam liberdades e garantias até demais, favorecendo impunidade em muitos casos.
8 - Limitar o funcionamento de bares: é medida polêmica, muitas vezes tida como autoritária e discriminatória, mas caso as estatísticas demonstrem resultado significativo, há que se ponderar a vantagem.
9 - Reavaliar o alistamento militar: analisar que impactos positivos podem ser provocados no âmbito da segurança caso mais jovens fossem recrutados pelas Forças Armadas, ou até o contrário, se não estariam vazando informações e conhecimentos a quem não se deve.
10 - Efetuar mudanças nos presídios: o sistema carcerário em geral parece falido, na maioria dos ambientes há superlotação e grande descontrole, com conseqüências perigosas.
Ainda há diversas medidas que escapam da alçada de decisão dos policiais militares até mesmo do mais alto escalão, ainda que haja a possibilidade de incentivá-las em alguns casos. O que não se pode negar é necessidade de mais atitude do que discursos e explicações.
Cumpro minha parte na dinâmica porém fico devendo a continuidade em pagá-la a outro blog.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Dinheiro

A fé move montanhas, e montanhas são movidas em busca de dinheiro. Grande parte dos crimes trazem consigo a característica de envolverem questões financeiras, seja o homicídio pelo não pagamento de uma dívida, o latrocínio em que se mata para roubar, o simples furto de qualquer objeto, entre outros tipos penais. A ousadia e criatividade para tais práticas é crescente, nos últimos dias registrou-se na Bahia um roubo de caixa eletrônico em São Gonçalo dos Campos, onde os criminosos carregaram em uma S10 a máquina inteira e a levaram embora. Houve também o flagrante de 3 homens que falsificavam cédulas na ilha de Itaparica. Assume-se sério risco de vida e ameaça à liberdade em troca da obtenção de renda fácil, talvez lastreando-se na impunidade que alcança alguns casos, porém em outros o trabalho policial eficiente frustra as intenções dos perpetradores, custando-lhes muito caro. É válida, neste sentido, a difusão de prisões como forma de tentar desmotivar a prática destas condutas.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Arrepio

Quem simpatiza com a causa militar sabe o real sentido do que é "vibrar", atingir o êxtase nirvânico pleno do ideal cultivado. Quem não foi, não é, não tem pretensão ou prazer em sê-lo, jamais será capaz de admitir certos conceitos. Vistas à frase de João Batista Fagundes que diria algo como "A lei militar não pode ser a lei civil de capacete, porque o militar não é um civil de uniforme, nele, a sociedade precisa ver, além da farda, também o exemplo", dá para se ter uma noção deste ideal.
Digo isto porque chegou ao meu conhecimento pela comunidade Direito Militar no Orkut um dado que sugere a decisão em conceder habeas corpus a militar flagrado fazendo uso de maconha em pleno serviço no quartel, baseado em aplicar a lei mais benéfica – no caso a nova lei de tóxicos. Aos doutos de notável conhecimento das leis no Supremo Tribunal Federal coube interpretar assim, contrariando o Supremo Tribunal Militar. A Constituição Federal estabelece no artigo 142: "§ 2º - Não caberá habeas corpus em relação a punições disciplinares militares.". São decisões curiosas, faz lembrar de uma frase em Veja, Edição 2014, 27 de junho de 2007, ao tratar sobre o caos aéreo: "Um mínimo de respeito e hierarquia é necessário em qualquer ambiente de trabalho, mais ainda se for um ambiente militar. Seria útil se o governo percebesse de uma vez por todas que abrir mão da disciplina entre militares é um precedente perigoso sob qualquer ponto de vista."

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Brevidades

- A capa do jornal A Tarde hoje estampa manchete que não é grande novidade mas nem por isso tema de pouco interesse, o grande envolvimento de jovens em crimes contra o patrimônio, constatando a falta de uma estrutura familiar completa na grande maioria dos casos. Para todo adolescente que furta ou rouba há um pai e/ou mãe ausente, tendo em vista que por mais que não se possa acompanhar os filhos o tempo inteiro, dá para se constatar de longe más companhias, comportamentos suspeitos, surgimentos de objetos de alto valor sem fonte justificada, etc.
- Hoje é feriado nacional em homenagem a Tiradentes, patrono das polícias. Primeiramente não deposito muita fé nos heróis nacionais, por diversas razões. E além disso, lembro da frase de Nelson Rodrigues "O brasileiro é um feriado", o que faz pensar sobre as vantagens e desvantages da cultura de ter tantos dias de folga no ano, coisa que não se vê em muitos países desenvolvidos.
- Por fim, se é que alguém deu por falta, a novela Nardoni, Jatobá e Isabella não está sendo acompanhada neste blog, as mídias já o exploram à exaustão, o que se podia retirar de lição do fato já foi discutido aqui em outras oportunidades.

Rio

Enquanto aqui é lembrado e homenageado o colega que mais recentemente nos deixou, no Rio de Janeiro 5 PMs foram mortos só na sexta-feira e sábado, todos também fora de serviço. São dados preocupantes, que demonstram o sério risco a que estão submetidos os policiais militares por todos país, com agravante em determinadas regiões. Faltam providências, provimento de melhores condições, capacitação, reconhecimento, muita coisa para que valha a pena arriscar-se diante de tantos perigos sob recompensas vãs.

domingo, 20 de abril de 2008

Morto

Outro PM volta a ser executado pela criminalidade, Egídio Castro Júnior, 40 anos, da 37ªCIPM/Liberdade foi morto com 20 tiros de pistolas em plena tarde de sábado. Diversas unidades da área e especializadas se deslocaram no momento com a promessa de buscar elucidar o caso como forma de vingar a morte do colega, que atuava ativamente no combate ao crime. Lamenta-se com pesar a despedida de mais um combatente.

sábado, 19 de abril de 2008

Militar

O militar (substantitivo) não pode militar (verbo). Lamentavelmente esta asserção parece verdadeira em diversos casos. Ainda sou defensor da manutenção da doutrina militar nas polícias nos estados, mas não deixo de considerar desvantagens que isto possa acarretar. A voz do militar muitas vezes é calada a bem da disciplina, o que pode tanto auxiliar o controle quanto omitir abusos. Nos últimos dias muito se comentou sobre declarações do General-de-Divisão Augusto Heleno Ribeiro Pereira, ao tratar sobre a problemática da soberania na Amazônia. O Exército Brasileiro sabidamente passa por dificuldades, e diante de uma manifestação legítima e cautelosa, diz-se ter havido certa resistência de alguns setores, que as palavras proferidas foram malvistas, cobrando-se explicações em patamar que certamente não aconteceria caso fossem outras autoridades declarando.
Parece ser assim também nos estados, nem todos os coronéis costumam fazer comentários sobre questões estruturais e salariais. Nas entrevistas, a praxe é comentar somente sobre amenidades e temas abstratos; é bem verdade que certos problemas podem e devem ser mantidos nas esferas internas, "roupa suja se lava em casa", mas há ocasiões em que a verdade precisa ser dita, e nem sempre o é. Se isto acontece com oficiais generais e superiores, também com os demais postos e graduações não é diferente, o que compromete a representatividade e dificulta pleitos de melhorias. Certos ou errados, poucos ousam "colocar a cabeça a prêmio", sob risco de serem alcançados por estatutos, regulamentos e até mesmo pelo Código Penal Militar.
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Esporte

A prática desportiva é um bom método de manutenção da forma física, além dos benefícios que traz à mente. Este recurso é tradicionalmente utilizado nas próximidades do dia de Tiradentes para entrosar PM, Forças Armadas, outras polícias, o aparato da segurança pública em geral. É uma interação salutar visando reduzir as distâncias entre as corporações.
Mas apesar de todos estes benefícios, nem tudo corre bem nas disputas estaduais, o que tem demandado grande atenção na segurança destes eventos. O BAxVI de domingo contará com centenas de policiais militares atentos a cada torcedor, para fins de evitar os problemas que têm sido constatados. Mas deslocar batalhões inteiros para o evento não é suficiente, ultimamente aconteceram discussões sobre a possibilidade de desfazer ou controlar as torcidas organizadas, com alternativas como numerar as camisas dos torcedores que compõem as mesmas, medida aparentemente positiva; se os policiais portam numeração ostensiva evidente para fins de controle de excessos, facilitaria muito a contrapartida em utilizar nos torcedores artifício parecido, permitindo melhor controle. Medidas como a proibição de venda de bebidas alcoólicas dentro do estádio também merecem avaliação, inclusive já está em prática em outros lugares do país. Se as liberdades estão sendo usufruidas com abuso e ferindo o direito alheio, cabem meios de contenção em prol da coletividade.
Foto: Portal Kade Conquista

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Cabrini

Talvez fosse esperada maior repercussão na prisão do renomado jornalista Roberto Cabrini, mas o corporativismo está aí para "segurar as pontas", porém confrontando com a competitividade e disputa das concorrentes. O que se sabe é que a situação está complicada, diz-se ter sido encontrada uma dezena de papelotes de cocaína no veículo, os quais o acusado alegara fazer parte de reportagem especial. Acontece que há a informação de um vídeo em que o repórter aparece consumindo a droga. Talvez equivocadamente o mesmo alegou que não as consumia, passando assim a ser equadrado por tráfico de drogas. Segundo o próprio a suposta amante que o acompanhava o obrigou a consumir através de ameaça e provocou o flagrante. Aguardemos, perplexos, o desencadear dos curiosos fatos.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Convicto

Diante dos novos noticiários, parece ainda mais convincente o dito aqui ontem, sugerindo a análise dos fatos como possível forjamento. A foto que estampa a capa de A Tarde no tocante à manifestação em Itapuã ontem deixa quase evidente que os cartazes NÃO foram feitos pela população local. Não é plena convicção, talvez tenha sido produzido por alguém mais técnico. Não é obrigatório acontecer, apesar de tão constante, o excesso de erros ortográficos. O que chama a atenção mesmo é a forma como estão escritas as frases, praticamente idênticas às práticas nas publicações em jornais. Praticamente não me restam dúvidas de que moradores comuns não escreveriam "Moradores entram em desespero ao ouvir o som dos tiros que levou a morte de 2 pessoas". "Policiais levam medo e pânico aos moradores da Baixa do Soronha". Nas manifestações "legítimas", tradicionalmente acontece diferente. Ou tinha algum "profissional das letras" em meio à manifestação, ou é evidente o indício de que foram induzidos a escrever desta forma. Não parecem restar dúvidas que estas frases nem de longe representariam manifestação espontânea de parentes e amigos.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Intersecção

Para interpretar melhor esta postagem recomendo tomar parte do relatado nos 2 posts anteriores. Feito isto, fica o seguinte questionamento, mesclando as 2 ocorrências: e se os policias surgissem na iminência em que o jovem de 13 anos efetuava disparo contra o de 16? Amparados pelo excludente de ilicitude denominado legítima defesa de outrem, poderiam ter atingido o menor, visando salvar a vida do outro. Mas será que a sociedade legitimaria a ação? Será que os jornais não fariam um escândalo pelo fato de PMs terem atingido um adolescente tão novo? Ou talvez dissessem que nada daquilo ocorreu, que a arma foi plantada na mão do jovem e os policiais teriam sido desastrados na operação? Pois é, muitas vezes acontece isto, e convicções precipitadas acabam por prejudicar um bom trabalho.
Mas enquanto isto a labuta continua, já apareceu outro caso de morte em escola, um aluno de 18 anos matou outro de mesma idade através de facada em Santaluz, a 259km de Salvador. Mais uma rebelião em delegacia é controlada, agora em Porto Seguro, onde as estruturas foram destruídas. Como vemos, certas condutas estão se tornando corriqueiras, a despeito do ilícito vinculado a elas.
Foto: Margarida Neide/A Tarde

Apuração

Volta a haver manifestação contra ação policial em bairro carente, desta vez na Baixa do Soronha, e novamente contra a ROTAMO do BPChq. Como não estive presente, tampouco a quase totalidade de quem vier a ler isto, as idéias adiante expostas são fruto do divulgado pela imprensa local e de impressões gerais anteriores.
Trecho da Tribuna da Bahia: "Baixa do Soronha. Segunda-feira, 10 horas da manhã. Soldados do Batalhão de Choque da Polícia Militar invadem o local, de armas na mão, atirando para todos os lados. “Sai da frente que bala não tem olho”, gritava um deles para crianças apavoradas." Pelas razões já ditas, não posso negar o ocorrido, mas reluto, resisto e tenho dificuldades em acreditar que seja verdade a cena descrita, é muito pouco provável que uma guarnição atue assim. É pena nestes casos quase nunca ter uma câmera que tenha registrado fielmente o ocorrido e contestar os testemunhos anônimos.
Moradores queimaram pneus, madeira, interditaram via local por cerca de 5 horas. Há quem se convença, devido a esta reação, de que os 2 rapazes que vieram a óbito eram inocentes, o que é uma conclusão precipitada e possivelmente equivocada. É comum que o tráfico ganhe simpatia nas localidades onde se instala por favorecer os moradores, oferecendo produtos de roubo e cedendo ajuda em diversas circusntâncias. Ou seja, é grande o poder de persuasão dos traficantes, é fácil ordenar e perceber o cumprimento imediato da ordem para que a população se manifeste.
Desta vez os 2 indivíduos eram maiores de 18 anos, do contrário certamente o alarde seria maior, e iriam manter o repetitivo mau hábito de publicar fotos da infância, induzindo a uma aura de inocência e pureza que já não correspondem à maioria dos envolvidos nestas ocorrências.
O local onde ocorreu a alegada troca de tiros foi uma casa que se encontrava em reforma, talvez por isso parte de um muro tenha desabado durante um confronto, artifício que jornais utilizaram como forma de magnificar o relato, quase transformando os policiais militares em "monstros superpoderosos".
Por sinal, são constantes as manifestações contra o trabalho de PMs da RONDESP e ROTAMO, principais grupamentos combativos da cidade, que chegam em socorro às mais graves ocorrências e invariavelmente estarão mais expostos a riscos nos combates para o qual são arduamente treinados e instruídos, de modo que prevaleça a técnica, a legalidade e o profissionalismo destes homens contra o amadorismo insano de criminosos
Há ainda uma vasta gama de outros detalhes que poderiam ser trabalhados acerca das notícias, mas por ora dou-me por satisfeito por, pelo menos, questionar a veracidade do exposto. Os órgãos competentes irão apurar supostos excessos. Na delegacia, a versão dos policias como sempre difere do relatado por envolvidos, inclusive neste caso houve apresentação de armas e drogas apreendidas. Definitivamente, não há como dar credibilidade plena a uma situação em que não estivemos presentes, nem ao que nos é passado pelos meios de comunicação.

Foto: Margarida Neide/A Tarde

Juventude

Tribuna, Correio e A Tarde relatam o homicídio perpetrado ontem por um adolescente de 13 anos contra outro de 16, em plena luz do dia. É maçante repetir que a adolescência é uma fase de mudanças, crises etc, melhor tratar do que é palpável. Coincidentemente nos últimos dias houve manchetes neste sentido, pretendia ter postado algo sobre o tema ontem, já que o Correio da Bahia analisou o problema vivido em shoppings no trato dos seguranças com crianças e adolescentes que promovem baderna, incomodando lojistas e pessoas que circulam nos locais. Também a Tribuna da Bahia trazia extensa análise sobre a situação nas escolas, relatando casos de violência em colégios públicos e denúncias relativas à situação. Hoje, além destes dois, também A Tarde estampou na capa o caso supracitado, adolescente cumpre ameaça e mata outro, supostamente devido a rixa provocada pelo fato de um integrar a Torcida Uniformizada Os Imbatíveis e outro a Torcida Organizada Bamor, adversárias no futebol local, que mais parecem facções criminosas, conforme tratou o jornal no domingo, no caderno de esportes. Chama a atenção também a informação de que no perfil do acusado no Orkut havia uma série de fotos de armas de fogo, drogas lícitas e ilícitas, quantias em dinheiro, dizeres promíscuos e autodenominação de que seria 157 (ladrão), e fumava maconha desde 1 ano de idade. A pergunta é, onde estão o pai, a mãe, a família deste adolescente infrator? Ausentes, com certeza. Na falta deles, ocupa o vácuo a polícia.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Falcões

Após ter concluído recentemente a leitura de ambos, sugiro aos interessados a leitura de Falcão - Meninos do Tráfico e tambem Falcão - Mulheres e o tráfico. Ambos trazem um notável relato verídico da realidade do tráfico de drogas, inclusive com confidências das idéias e pensamentos de quem participa desta rede, destacando-se o curioso senso da maioria em não ter peso na consciência por vender drogas mesmo àqueles que estão em estado de saúde abalado ao extremo, sob o argumento de que ninguém é obrigado a comprar e nem mesmo eles ofertam em propagandas por aí. Quem compra é porque quer, e se um recusa a vender, logo adiante terá outro para fazê-lo. Ambos se comunicam no tocante a como ocorre o ingresso neste ramo e geralmente como termina, tanto da parte dos adolescentes e crianças quanto das mulheres. Cada obra custa na faixa de 30 reais, os autores são Celso Athayde e Mv Bill.

 
BlogBlogs.Com.Br

'Digite seu e-mail:'

Fornecido por FeedBurner