domingo, 27 de abril de 2008

Paradoxo

Diz-se que em países de cultura estranha à nossa, como o Canadá, sequer passa pela cabeça do policial a hipótese de exigir propina, bem como do cidadão em oferecê-la. Não estive lá para assegurar a veracidade nem provar o contrário, mas a cada dia me convenço de que o senso local é de tolerância e aceitação desta prática. Em público, a maioria se manifesta de acordo com os ideais morais, condenando a conduta, mas de modo íntimo, desde simples condutores a motoristas profissionais, no âmbito do policiamentode trânsito, muitas vezes o que se quer é um "acordo entre as partes", de tal modo que haja a ilusão de beneficiar o infrator e o corrupto, com o gostinho especial de lesar o Estado, quando na verdade a todos rendem-se prejuízos. Há motorista que deixa de cumprir a lei e quer uma oportunidade de gastar menos e não dever satisfações formais, há policial que intenta reforçar o orçamento por meios ilícitos e há uma sociedade que pretende se vingar do governo. O resultado disto é a desconstrução de valores, comprometimento do Estado de Direito, tencionado pela recompensa instantânea (e ilusória). Depois tem condutor que acha feio, errado, tem também policial que sente peso na consciência, mas, consumado o ato, é pouco provável que, invertendo-se os papéis, o resultado fosse diferente. Conforme o exemplo, o primeiro, se fosse autoridade, possivelmente aceitaria a vantagem ilícita, e o segundo, na circunstância de infrator, ofereceria ou aceitaria render-se à paga escusa.

Um comentário:

Anônimo disse...

por isso aprecio a posição da China para os crimes contra o patrimônio público, fraudes, extorsões, propinas...

só se acaba com um mal cortando-o desde a raíz

 
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