sábado, 7 de março de 2009

Infortúnios

Infeliz sequência de infortúnios se abate sobre a PMBA nos últimos dias. Após o espetaculoso escândalo que ainda se desdobra nas capas de jornais, podendo ainda englobar novos nomes ou desandar nos emaranhados judiciais, uma série de tragédias indesejáveis recaiu sobre integrantes da tropa. Ontem comentava-se sobre a morte de um soldado, os tiros que atingiram um outro, e ainda o acidente com uma guarnição completa. Hoje o noticiário amanhece com mais más notícias, a perda de dois sargentos da corporação. Um dos casos ocorreu no final da noite de ontem em Paripe, no interior da residência do miliciano identificado SGT PM Batista, que seria da CIPE-Litoral. O graduado, popularmente conhecido como Jacaré segundo as informações, foi atingido por disparo de arma de fogo na cabeça, suspeita-se de que possa ter sido acidente no manejo da arma ou ainda suicídio - o caso ainda está sendo elucidado. Outra infortuna se deu na saída do túnel Américo Simas, onde o SGT PM Sérgio Luís Ferreira, apontado como sendo do TOR-BPRv, não sobreviveu após colisão do seu veículo Fiesta com um Corsa. Pena termos uma série de infelicidades como essas recentemente vistas, que haja conforto e amparo para os familiares e amigos das vítimas.

sexta-feira, 6 de março de 2009

#2

O ano de 2009 está sendo menos sofrido para a PM no tocante às mortes de policiais, mas o tombamento de 1 único soldado já é motivo de grande lamentação, afinal é a vida de mais um profissional que se vai em decorrência da ação dos bandidos. Hoje, após 7 dias de agonia e esperança, infelizmente foi constatada a morte do SD PM Osni Pereira de Almeida, atingido por assaltantes durante roubo em coletivo. É mais uma perda sofrida para a corporação - ainda que no ano passado, a essa altura, já estivessemos lastimando a 6ª morte de PM, as 2 constatadas até o momento já são suficientemente indesejáveis, sem contar outras infelicidades como os tiros disparados contra o SD PM Dick Rocha de Jesus, da 52ªCIPM/Lauro de Freitas, também em crime da modalidade saidinha bancária quando chegava em sua casa em Mussurunga, após ter saído de agência em Itapuã ontem à tarde. Houve ainda outra infelicidade hoje pela manhã envolvendo uma guarnição da CIPE-Cerrado, que colidiu frontalmente com uma carreta bi-trem durante chuva em rodovia próxima ao município de Luís Eduardo Magalhães, sendo ela composta por um tenente, Adriano e três Soldados PM: Edson, João Paulo e Carlos Araújo, este último ficou preso nas ferragens e fraturou o fêmur, de acordo com a imprensa. Façamos o possível para que dias melhores cheguem para os policiais, evitando o quanto puder a ocorrência de infortúnios como os constatados.

Segue

Apesar da turbulência, a vida continua na corporação. O assunto maior, palpitante em meio à tropa, e ainda "proibido" em alguns quartéis, onde falta abertura de comunicação entre comandante e comandado, não impediu que o serviço de manutenção da ordem prosseguisse, na medida do possível. Além do pronunciamento do senhor Cel PM Mascarenhas, Comandante Geral, na televisão após a entrevista coletiva da SSP, houve uma nota para a imprensa sobre o que foi entitulado Episódio envolvendo oficiais, dando conta da manifestação formal da corporação sobre o assunto. Segundo o telejornal Aratu Notícias 2ª Edição, a Assessoria de Comunicação da SSP alegou serem desnecessárias as imagens do momento da prisão, na Band o governador do estado disse que nem ele havia visto as imagens, filmadas de acordo com a Justiça, e não gostaria de ver a situação se transformando em espetáculo. No Orkut, já circulam diversas charges e montagens sobre o tema. Talvez, temporariamente, haja um certo abalo no poder de barganha da briosa para requerer certas benesses legais devidas, é preciso manter as ações exitosas para reforçar o que se tem de bom a oferecer.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Big Bang

Não há como tapar o sol com a peneira, fugir dos problemas só os torna maiores. Desconversar sobre o que é óbvio e evidente é tarefa para dissimulados, talento que nem todos têm. O que aconteceu está aí, todos os telejornais, rádios e sites noticiaram, certamente amanhã será a capa dos jornais impressos. A perplexidade, o choque, o baque, espanto, surpresa, sentimento de "Eu não acredito" ou até de "Eu já sabia" se espalha pelos quatro cantos. Hoje é um dia ruim, é preciso dar o braço a torcer, mesmo sem querer. Hora de aceitar algumas críticas ao militarismo (doutrina a que sou afeito), não por ela ter algum vínculo direto com irregularidades, mas por ser alvo de eternas reclamações quando à sua eficiência em ser implacável na repressão a falhas como um pequeno atraso, cabelo mal cortado, barba por fazer, continência falha e outras questões disciplinares que não deixam de ser importantes, mas tornam-se minúsculas diante de certos comportamentos. Os erros não deixam de ser erros, mas aquela "miação" do policial na rodovia ficou nanica ao lado do escândalo apresentado, e ainda que a Constituição assegure indistintamente a presunção de inocência antes da condenação irrecorrível, não há como crer que tantos meses de investigação, culminando inclusive no flagrante do recebimento de milhares de reais, seja resultado de algum equívoco sem alicerce. A ambição humana não tem limites, quem mais tem é quem mais quer acumular, seja pelo meio que for. O Diário Oficial do Estado publica para quem quiser ver qual o valor dos ganhos de quem ocupa o maior posto, o soldo é mais de 700, a GAP mais de 5 mil, o símbolo DAS-1, mais de 8 mil, e por aí vai (muito além). Nossa continência é impessoal, visa a autoridade, mas por certo alguns agonizam por terem participado de exaustivas cerimônias ao culto de semideuses análogos ao que a história mostrou como santo de pau oco. Todas aquelas honras, desfiles, condecorações e medalhas tornam-se farelo e pó. São culturas e tradições nossas, desvinculadas às condutas ilícitas, as quais infelizmente são características de muitos brasileiros, vide o envolvimento de várias outras pessoas no fato, inclusive um procurador. Quem não deve, não teme. Parabéns aos executores da operação.
Mas é preciso manter a luz da razão acesa e lutar com toda força pela desvinculação da pessoa à instituição, separando a farda do homem, afinal se todos ou a maioria fossem maus, já estaríamos acabados há muito tempo. Ainda há muita gente boa, de cima a baixo, preocupada em trabalhar de verdade e manter os acertos acumulados em 184 anos. Os homens passam e a instituição permanece, o bom trabalho da maioria deve continuar no próximo alvorecer, é preciso acreditar em um ideal maior. (1, 2, 3, 4, 5, 6...)

Revide

O fato ocorrido ontem envolvendo PFs no IAPI foi destaque nos jornais hoje, uma das vertentes de análise se deu através da crítica à eficiente e imediata resposta das polícias, já havia sido postado ontem aqui que foi uma situação pouco comum na nossa sociedade. Policiais, alguns jornalistas e setores da sociedade queixaram-se da providência diferenciada adotada diante do caso, diferentemente do que se vê quando morre um policial militar, por exemplo. Parte da eficiência se deu em virtude do apoio estabelecido pela coalizão, coisa que nem sempre ocorre quando da morte de PMs ou PCs da Bahia, às vezes as nossas polícias estaduais não se ajudam como deviam nesses momentos críticos, -ficando ainda completamente à parte a Polícia Federal, seja por questões constitucionais, doutrinárias ou, por que não especular, por orgulho. Aliás, destoava a inadequação das vestes dos mesmos, com sapatos e calças sociais que não facilitam o deslocamento, porém é compreensível, não se trata da rotina deles, acima de tudo fica a mobilização em busca de providências diante do que aconteceu. Respostas a atentados ocorridos contra policiais em serviço costumam ser mais rápidas e enérgicas, talvez pela gravidade e repercussão superior que o fato alcance, pela brevidade da comunicação do fato ou outras razões obscuras. Alguns cogitaram que a discrepância se deu pelo fato do secretário de segurança pública ser oriundo da PF, outros, como o "faz-tudo" Raimundo Varela, se preocuparam em levantar suspeitas sobre a ação policial e induzir à crença na inocência dos marginais que tombaram em troca de tiros ao resistir à prisão. Apesar dos distintos comportamentos, é preferível crer que a maioria sabe o que é melhor para si, e ter uma polícia respeitada é prioridade na consubstanciação da sociedade com a lei.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Resultado CFO 2009

Foi publicado há pouco o resultado das provas de vestibular para o CFO 2009, com a lista de convocados e suplentes. Aos que lograram o êxito inicial, parabéns, mas lembrem-se que a vaga não está garantida, faltam diversas etapas eliminatórias e qualquer descuido pode ser fatal. Reler o edital, se dedicar bem ao preparo físico e começar a poupar alguma quantia é indispensável para um bom começo. Aos que não alcançaram a meta, hora de recomeçar os estudos com intensidade que no final do ano há uma nova chance.

PFs

Segundo a imprensa, três policiais federais que entregavam uma intimação na invasão Nova Divinéia, no bairro do IAPI foram emboscados por marginais e um deles foi alvo fatal dos disparos de arma de fogo dos bandidos. Houve repressão imediata das Polícias Civil, Militar e Federal, pelo menos 4 criminosos tombaram em confronto e outros 3 já foram presos. Não foram passados maiores detalhes sobre a ação inicial, se os federais estavam ostensivamente identificados, mas o certo é que a ousadia da marginais ficou patente, criando uma situação pouco comum na nossa sociedade. Lamenta-se pelo resultado pesaroso com a morte do PF, que sirva de lição para estudos sobre os riscos envolvidos na entrega de intimações em áreas de pouca segurança, às vezes o aparato requerido subestima a capacidade dos meliantes da localidade. (1, 2, 3, 4 e 5)

terça-feira, 3 de março de 2009

Gratificação

Não se pode gratificar adicionalmente um servidor pelo mero cumprimento de suas obrigações, sob pena de faltar com a devida moralidade administrativa e, pior, torná-lo um caçador de recompensa, em vez de um profissional responsável. Essa tem sido uma grande problemática do serviço público, aliada ao "problema" da estabilidade, criada talvez para romper com a vulnerabilidade das demissões por manobras políticas, mas que trouxe um efeito colateral em acabar por difundir a improdutividade em certos setores. Passa pela mente de alguns funcionários públicos, em determinadas carreiras, de que ele não precisa demandar qualquer esforço em promover sua própria atualização e continuidade dos estudos, bastaria esperar a mera passagem do tempo para ser promovido e finalmente se aposentar. Há quem creia na ideia de que no final do mês o salário está garantido, então os dias se passam sem que se trabalhe quase nada, só contando o tempo até a data da recompensa a que não faz jus. Um ganho adicional é merecido e estimulante aos que fazem além das suas obrigações, o salário é a contraprestação pelo serviço promovido na medida de sua responsabilidade, não pode ser uma caridade a quem em pouco ou nada colabora com o cumprimento da missão. Nem o excesso em voluntariados gratuitos nem a injustiça em dar menos do que o merecido a quem merece, o ideal é conceder a cada um a medida correspondente às suas condutas.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Estádio

Não pretendia citar o assunto aqui, sobretudo pelas óbvias limitações de tratar de pauta envolvendo oficial estando na minha condição, mas como os comentários do post anterior forçam um manifesto, há necessidade de se discutir, abstratamente, dramas policiais vividos em praças esportivas. Todos os telejornais locais, esportivos ou não, transmitiram as imagens do conflito ocorrido estádio de Madre de Deus ontem, chegando a alcançar o Fantástico e o Jornal Nacional, programas tidos como símbolos máximos do noticiário da TV brasileira. As imagens aparentemente dispensam grandes explicações, mas, como sempre, é inegável o pecado de não se transmitir a ocorrência por completo, demonstrando tudo que os torcedores fizeram antes da PM, ou melhor, de um único PM aparecer para tentar reestabelecer a ordem com uma bravura talvez abusiva, posteriormente apoiado por outra pessoa e mais adiante pelo corpo de PMs que se fazia presente. O procedimento de apuração do fato já foi iniciado, aos demais cabe um estudo de caso visando aprender com os aparentes erros constatados, sobretudo excessos na intenção de aplicar castigo a transgressores, atribuição que não é nossa, mas acabamos por querer exercer, mas isso é assunto para um outro texto que dentro em breve será publicado no Abordagem Policial. Enquanto isso, cabe a nós pararmos para pensar o quanto um agente químico fez falta naquele momento, inibindo o traumático contato corporal e uso da força através de bastão. O gás seria de igual ou superior eficiência, sem deixar traumas ou lesões como ocorrido, mas ainda sofre grande limitação no seu emprego, mesmo em momentos oportunos, conforme visto. Trabalhar diante de torcidas enfurecidas é algo excepcional, a psicologia das massas nos mostra quão perigosa se torna uma turba composta por torcedores de uma equipe. O policiamento em estádios de futebol chega a ser feito de qualquer maneira, fora dos padrões técnicos, já que às vezes recai sobre quem planeja a operação a responsabilidade de milagrosamente providenciar efetivo até muito maior do que o da própria unidade para cumprir a missão, sendo que não se vê na prática a gratificação extra legalmente prevista sendo paga aos policiais, o que certamente atrairia até voluntários para atuar nos estádios, mediante o justo adicional pelo serviço especial desempenhado em seu horário de folga. Quem se arvora a discutir esses assuntos deve ter no mínimo a credencial de ter atuado em eventos críticos em praças esportivas, sou franco em manifestar que abro mão dos comentários cheios de exclamações e letras maiúsculas com emoções desvairadas de algum fanático amador. Antes de tudo é preciso ter conhecimento de causa e avaliar o caso à luz da razão, o poder disciplinar punitivo já está sendo exercido para apurar as falhas, aos demais interessa o aprendizado e evolução que o caso pode proporcionar, melhorando o trabalho da polícia e a segurança da sociedade.

Tapetada

Veja a que ponto chega a demência de adolescentes e adultos país afora, que sem quaisquer resquícios de racionalidade ou juízo em suas mentes, saem às ruas cometendo barbaridades tais quais trogloditas fossem. Têm havido diversos registros de uma modalidade de vandalismo conhecida como "tapetada", que consiste em enrolar o tapete interno de borracha do carro de modo a formar uma espécie de bastão e atingir covardemente pedestres e ciclistas pelas costas, sem a menor preocupação sobre a lesão que será causada e as consequências que poderão advir da provável queda da vítima. O ato repugnante é filmado por muitos dos cruéis autores e exposto no YouTube e Orkut como motivo de orgulho e troféu, talvez aplaudidos pelos demais asseclas de suas quadrilhas, ou até em casa, pelos pais e parentes que fingem não ver o monstro que convive com eles. Crianças, senhoras, trabalhadores, todos podem ser vítimas desses marginais da pior estirpe, cabe a toda população a responsabilidade de vigiar as condutas e denunciar os casos, anotando placas, horários, locais e todas as características possíveis para auxiliar o dever da polícia em reprimir. Agora tente se colocar no lugar de uma guarnição que flagra 4 "playboys" surrando covardemente um idoso inocente nessas condições, intercepta eles e captura a quadrilha... Consegue imaginar o quanto é difícil aceitar a rendição covarde dos marginais e conduzi-los pacificamente até a delegacia, onde talvez se percam longas horas de espera por atendimento e no final os autores saiam sorrindo pela porta da frente?

domingo, 1 de março de 2009

Federais

Encontrei em comunidades de policiais civis no Orkut uma reportagem publicada hoje pelo Correio Brasiliense dando conta de que "Apenas 24% dos funcionários da PF estão satisfeitos com o cargo". Isso mesmo, a famigerada Polícia Federal, sonho de consumo de muitos policiais estaduais, não parece ser as mil maravilhas para quem está dentro dela, segundo a pesquisa. Dados apresentados pela matéria dão conta de que "57,8% dos delegados, peritos, papiloscopistas, escrivães, agentes e pessoal administrativo pretendem deixar a carreira na primeira oportunidade", algo surpreendente para a maioria das pessoas que veem aquela corporação como uma grande meta em vida. Essa falta de apego ao ofício, que torna a profissão um mero trampolim, um momento de trânsito para tanta gente, dificulta a realização de um trabalho mais eficiente no cotidiano da organização. Já se sabia que essa é uma realidade constante nas polícias civis e militares, porém o alcance de tal patamar alarmante em nível federal parece ser uma novidade um tanto desagradável. Boa oportunidade para alguns indecisos reverem conceitos sobre benefício e custo de determinadas carreiras, tentando conciliar interesses salariais com vocação, afinal o diagnóstico é claro de que, mesmo com condições diferenciadas e satisfatórias de trabalho e remuneração, o ambiente na PF não parece ser dos mais ideais.

Circuito

Lendo um dos artigos que manifestam opinião no jornal A Tarde hoje, de título "Hora de um novo circuito", constatei a perigosa afirmativa de que a violência do Carnaval se deve à superlotação de alguns locais específicos, algo que tenho refutado aqui no blog pela comprovação empírica in loco de que a motivação para as brigas é predominantemente personalíssima, partindo da predisposição dos envolvidos, aliando-se posteriormente à oportunidade fornecida pelo local, aglomeração, trilha sonora e outros fatores secundários. No final do circuito Barra-Ondina, a grande concentração se dá na sexta-feira e principalmente no sábado, com picos de público e ocorrências, enquanto nos 5 dias restantes o espaço é relativamente confortável para quem quer contemplar a festa, e as brigas continuam a ocorrer quase sempre com os mesmos grupos, nas cordas dos blocos, entre quem acompanha o trio, permanece no asfalto ou segura a corda. O pessoal que fica na calçada para ver a banda passar quase nunca se envolve em contendas, disso não há dúvidas. O artigo fala de se criar um novo circuito para desafogar o público, uma ideia sempre batida, pertinente e interessante, mas justamente o fator policial é um dos mais complexos nesse sentido, dá para se estimar em pelo menos uns 5 mil PMs a mais para que seja inaugurado mais um circuito, e a corporação não tem de onde recrutar tamanho efetivo atualmente, o que mina quase que em absoluto o plano. O curioso é que no último parágrafo o autor diz "Claro que não entendo nada de Carnaval... e muito menos de segurança pública", o que me fez correr os olhos para saber quem assina, e a surpresa foi ler Jolivaldo Freitas, o mesmo que teve a infelicidade de chamar toda a polícia baiana de frouxa, sendo que alguns leitores erroneamente atribuíram a afirmativa ao secretário de segurança pública, quando na verdade a insinuação pecaminosa foi tão somente do jornalista e escritor que não sabe nada de polícia ou carnaval, mas ainda assim se arvora a comentar com cínica propriedade e tem espaço diferenciado no jornal de maior circulação no estado. Tomara que ele (não) consiga colocar em prática seu projeto de circuito alternativo, preferencialmente sem a polícia frouxa da Bahia, e com bastante espaço para os foliões. A festa dele não duraria minutos. Brincantes.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Armas

A edição mais recente de Época traz uma grave denúncia sobre suposto envolvimento de oficiais do Exército Brasileiro com contrabando de armas, discutindo-se a partir do suicídio do subtenente José Ronaldo Amorim na Quarta-feira de Cinzas no prédio do Comando do Exército, em plena Esplanada dos Ministérios, em Brasília. É uma acusação bastante séria e preocupante, seria bastante desagradável e incômodo constatar que aquelas armas entregues por muitos cidadãos idôneos durante as campanhas de desarmamento possam ter sido repassadas para criminosos, enriquecendo ilicitamente autoridades corruptas e mais à frente ceifando a vida de civis inocentes e agentes da lei. A extensa reportagem, disponível na internet, descreve como funcionaria todo o esquema que chega a envolver o generalato da Força Armada, segundo a matéria. Que os olhos das autoridades apuradoras estejam bem abertos para averiguar a veracidade da suspeita levantada, quiçá resultando em punição exemplar a eventuais culpados, evitando a desmoralização de uma das bases de sustentação de qualquer país.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Caixa

Um PM, apontado como sendo Osmir(ou Osni) Pereira de Almeida, da 10ªCIPM/Candeias, foi alvo de dois disparos de arma de fogo enquanto vítima de roubo em coletivo hoje no Largo do Tanque. Hoje é dia de pagamento dos servidores públicos do Estado, os jornais disseram que o policial trazia consigo R$1.600,00 que havia acabado de sacar, o que pode ter gerado a cobiça dos marginais, que não pouparam brutalidade na ação para subtrair a quantia. Um dos marginais foi logo capturado, outros fugiram, e o PM foi socorrido em hospital. Ainda ontem, na Calçada, outro PM foi atingido por tiro quando tentava evitar roubo vulgarmente conhecido como "saidinha bancária" em frente a uma agência do Bradesco. É lamentável que a sociedade tenha que recuar diante do crime e se privar de certas liberdades, mas uma solução para diminuir os riscos a que se expõem os policiais nessas horas é utilizar caixas eletrônicos dentro dos quartéis, como existe no Quartel dos Aflitos ou ainda na Vila Policial Militar do Bonfim, que dispõe ainda de uma agência do Bradesco. Nem sempre é viável ou próximo acessar tais unidades, porém sempre que possível é preferível utilizá-las, sendo que nem assim o risco está plenamente anulado, mas significativamente reduzido diante do que temos nas ruas.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Quarta

Finalmente, olha de recolher as cinzas do Carnaval, que por sinal, pela ótica de alguns foram preciosas, frutos de um garimpo não tão limpo assim. Hoje em entrevista a dois telejornais matinais, na TV Bahia e TV Itapoan, o secretário de segurança pública propalava com indisfarçável sorriso a queda dos registros de violência, calculada em 7,8%, algo previsível desde o primeiro dia de festa, como já postado no blog, não em virtude de efetivos resultados do policiamento ou conscientização da população, mas pela dificuldade em se fazer os registros, como foi insistentemente batido aqui durante toda a festa. Pelo menos em Ondina, faltou impressora, cela, delegado, escrivão e principalmente boa vontade. Chegou-se ao ponto de requerer representação para crimes de ação penal pública incondicionada, havia uma aura de total desestímulo ao registro de ocorrências tanto para os policiais condutores quanto para as vítimas dos delitos, muitas vezes induzidas a abir mão dos procedimentos formais.
Existem constatações de apatia, desânimo e falta de profissionalismo em ambas as corporações policiais, sendo essa uma problemática de difícil remédio para os gestores. Mesmo sendo remunerados adicionalmente e de modo antecipado, contando com condições relativamente suficientes e favoráveis à prestação do serviço, alguns servidores insistem em exercer suas funções com má vontade e indisposição.
Sobre as brigas, elas continuam a ocorrer em sua quase totalidade nos mesmos lugares, nas mesmas circunstâncias e com as mesmas pessoas, variando um pouco ultimamente com a crescente constatação de mulheres participando das lutas. Quando se reprime essa prática, um breve levantamento é capaz de evidenciar que os participantes são quase sempre do subúrbio, naqueles mesmos bairros periféricos onde ocorrem homicídios e chacinas diariamente. É mais uma questão cultural de má educação do que falta de espaço na avenida, não há como deixar de crer nisso, por mais que tentem distorcer.
As estatísticas chegam a irritar, é óbvio que o circuito Dodô (Barra-Ondina) obrigatoriamente registra um índice de ocorrências muito maior que os demais, enquanto o Carnaval por lá se prolonga até o 7º dia, no circuito Osmar (Campo Grande-Avenida) só há, de fato, 3 dias de festa, e o circuito Batatinha (Pelourinho), por sua vez, é reduto de crianças, idosos, famílias, alguns turistas e pessoas mais pacatas, sem axé, pagode, trio elétrico e os ingredientes da problemática violenta.
As autuações por porte e tráfico de drogas passam longe da realidade, infinitamente superior ao apresentado nos balanços.
Sobre o evento envolvendo oficial e delegado que resultou em desentendimento, cabe ao alto escalão apurar e se manifestar em relação ao incidente indesejável.
O foco da violência continua limitando-se predominantemente às cordas dos blocos versus a pipoca, justamente pelas pessoas que compõem tais grupos. Arrisco afirmar que o maior problema do Carnaval se chamou Fantasmão, banda idolatrada por muitas facções, com letras e ritmos incitadores da agressividade, rendendo demandas extras e esforços incansáveis das patrulhas.
É risível constatar um número de furtos abaixo de 100 enquanto as perdas de documentos geralmente passam com folga da casa dos milhares. Alguém imagina que as carteiras voluntariamente pulem tanto dos bolsos em meio à festa?
Enfim, chegamos ao fim de mais um Carnaval sem homicídios nos circuitos da folia, reunindo-se milhões de diferentes pessoas ao longo de muitos quilômetros durante 7 dias de euforia em uma receita possivelmente mais explosiva do que um barril de pólvora, porém controlada com primor pela PM - enquanto só na noite do réveillon de Copacabana foram 5 baleados esse ano. Do que é motivo de orgulho temos que nos vangloriar, mas não adianta tapar o sol com a peneira, maquiando uma realidade que até tem remédio, mas nem todos estão dispostos ao sacrifício de trabalhar para combatê-la.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Terça

Findado o Carnaval, o que se viu foi uma grande dificuldade dos policiais em registrar ocorrências em alguns postos, consumindo-se longas horas para a lavratura de um termo circunstanciado por porte de drogas, por exemplo, procedimento pouco complexo que às vezes resulta em uma simples e única folha de papel impressa, onde assinam as partes envolvidas e de imediato são liberadas, algo que poderia ser feito em questão de breves minutos mas por vezes exigiu extensas horas de paciência, extrapolando turnos de serviço, estressando a tropa e comprometendo o policiamento. É uma lição a ser aprendida, visando não repetir o mesmo erro em 2010.
Muitos se perguntam o que faziam tantas patrulhas ostensivas de policiais civis no terreno, acompanhando trios e exercendo uma série de funções típicas da PM durante todos os dias da festa, enquanto nos postos policiais faziam muita falta escrivões e delegados para lavrar os termos, afinal a dificuldade para fazer um auto de prisão em flagrante era ainda maior, o que pode ter tornado lesões corporais em meras vias de fato, ou constatações de tráfico de drogas em simples autuações por porte de entorpecentes. Muita gente boa se viu obrigada a deixar de conduzir infratores da lei por conta da situação constatada.
É nessa vertente que os altos escalões precisam estar focando seu trabalho, ajustando procedimentos para prestar um serviço melhor à sociedade, e realmente ainda temos muito em que nos corrigir, todos.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Segunda

Há diversas especulações sobre qual seria o motivo das brigas que ocorrem no Carnaval, para essa análise costuma-se considerar a faixa etária dos envolvidos, o efeito das drogas, entre outros fatores, e muitas vezes há quem diga que a questão é a disputa pelo escasso espaço em meio à uma densidade tão elevada. Na verdade, a maior parte das brigas ocorre na lateral dos trios elétricos, entre "cordeiros e pipocas", e dessa maneira é inevitável levar em conta as classes sociais de ambos, presumivelmente baixas. São poucos os conflitos dentro dos blocos ou camarotes, é assim também nas localidades onde se reúnem grandes grupos para contemplar a passagem dos trios, o ambiente costuma ser predominantemente tranquilo, mas já nas cordas de grandes atrações, em especial ao som de certas músicas, a probabilidade de ocorrência é bastante elevada. Não vale a pena maquiar a realidade com fantasias e filosofias vãs, o fato é que a maioria das contendas parte de pessoas já dispostas a trocar socos em meio à festa, e é nessas horas em que a polícia mais tem que agir, reestabelecendo o mínimo de ordem necessário para a grande festa nas ruas.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Domingo

A demora no atendimento nas centrais e postos policiais ao longo do circuito tem permitido o surgimento de uma espécie de síndrome de Estocolmo entre condutores e conduzidos, ou entre partes envolvidas em contendas no carnaval. Às vezes imperceptivelmente vínculos são estabelecidos ao se questionar o local onde mora, onde estuda/trabalha, o comportamento, as práticas e outros dados de interesse relacionados à conduta praticada, e não raro alguns brigões acabam por fazer as pazes com o adversário no posto policial, ou ainda um usuário de entorpecente deixe de ver o policial com tanta repulsa, por exemplo. Às vezes o que ocorre na exaltação turbulenta ao lado do trio acaba sendo revisto de modo muito diferente minutos depois, já com maior serenidade em ambiente reservado. São facetas do aspecto policial da festa, nem todos conhecem, mas, em parte, é assim que funciona.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Sábado

Prisões "atípicas" costumam chamar a atenção do folião, cenas de pessoas brancas, loiras, olhos azuis/verdes, sendo conduzidas algemadas em meio à festa parecem algo anormal para muitos, porém nada mais é do que a imagem do cumprimento do dever com isonomia e imparcialidade, sem distinção de credo, cor, gênero e posição social. Nesse aspecto, algumas tropas são exemplares ao se propor a tratar todos conforme seja condizente.
***

Mais do que horários ou locais, o que mais provoca brigas no carnaval são determinadas bandas, e mais ainda certas músicas especificamente. Óbvio que uma série de fatores interfere, como a quantidade de álcool ou outras drogas no organismo, o reduzido espaço para tantas pessoas, a má educação pregressa de alguns etc, mas o fato é que, a depender da atração e da canção, o patrulhamento torna-se tranquilo e seguro, contudo a batida inicial de certas músicas já soam como alerta para o policiamento, dando certeza da ocorrência de brigas. Um dos "referenciais" nesse sentido é a banda Fantasmão, cujas músicas incitam escandalosamente a violência nos seus versos, o que é treinado em ensaios e shows durante o ano inteiro, para que no Carnaval seus admiradores pratiquem lutas em meio às ruas. Como era de se esperar, toda culpa recai sobre a polícia pelo registro desses fatos, mas bastava limitar "levemente" o conteúdo de algumas letras que a violência tenderia a reduzir significativamente, pode acreditar.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Sexta

A festa só cresce, de quinta para sexta há um aumento significativo na quantidade de pessoas nas ruas, e a tendência para hoje é continuar aumentando. Curiosamente, como já foi pensado aqui, a violência iniciou marcando uma queda vertiginosa, acima de todos as metas, com a redução em 18% nos registros. Quem leu as últimas postagens consegue ver os dados de maneira diferente, e quem trabalhou realizando conduções de presos é capaz de reavaliar melhor ainda.
Quem cansa mais, a farra do folião ou o trabalho na folia? A disputa pelo recorde de esforço físico no serviço é ferrenha entre os cordeiros e os PMs, ambos são totalmente indispensáveis para a festa, respondendo pela segurança à medida de suas competências e responsabilidades - os policiais, é claro, com melhor preparo e remuneração. As patrulhas de real perfil atuante costumam andar quilômetros durante um turno de serviço, enfrentando situações diversas, muitas das quais exigindo intervenção com uso da força. Dos colaboradores, trabalhadores e organizações envolvidas, nenhum chega perto do desgaste físico e psicológico sofrido pela tropa - quem está trabalhando no posto médico, no camarote, no trio elétrico e até no posto policial não sente na pele, nas juntas, no corpo inteiro a fadiga em consequência do sacrifício, mas basta nascer o sol e os combatentes já estão revigorados para continuar cumprindo a missão com sucesso até a quarta-feira. Parabéns a todos aqueles que, sob um capacete militar, sustentam toda a estrutura da festa.

 
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