segunda-feira, 2 de março de 2009

Estádio

Não pretendia citar o assunto aqui, sobretudo pelas óbvias limitações de tratar de pauta envolvendo oficial estando na minha condição, mas como os comentários do post anterior forçam um manifesto, há necessidade de se discutir, abstratamente, dramas policiais vividos em praças esportivas. Todos os telejornais locais, esportivos ou não, transmitiram as imagens do conflito ocorrido estádio de Madre de Deus ontem, chegando a alcançar o Fantástico e o Jornal Nacional, programas tidos como símbolos máximos do noticiário da TV brasileira. As imagens aparentemente dispensam grandes explicações, mas, como sempre, é inegável o pecado de não se transmitir a ocorrência por completo, demonstrando tudo que os torcedores fizeram antes da PM, ou melhor, de um único PM aparecer para tentar reestabelecer a ordem com uma bravura talvez abusiva, posteriormente apoiado por outra pessoa e mais adiante pelo corpo de PMs que se fazia presente. O procedimento de apuração do fato já foi iniciado, aos demais cabe um estudo de caso visando aprender com os aparentes erros constatados, sobretudo excessos na intenção de aplicar castigo a transgressores, atribuição que não é nossa, mas acabamos por querer exercer, mas isso é assunto para um outro texto que dentro em breve será publicado no Abordagem Policial. Enquanto isso, cabe a nós pararmos para pensar o quanto um agente químico fez falta naquele momento, inibindo o traumático contato corporal e uso da força através de bastão. O gás seria de igual ou superior eficiência, sem deixar traumas ou lesões como ocorrido, mas ainda sofre grande limitação no seu emprego, mesmo em momentos oportunos, conforme visto. Trabalhar diante de torcidas enfurecidas é algo excepcional, a psicologia das massas nos mostra quão perigosa se torna uma turba composta por torcedores de uma equipe. O policiamento em estádios de futebol chega a ser feito de qualquer maneira, fora dos padrões técnicos, já que às vezes recai sobre quem planeja a operação a responsabilidade de milagrosamente providenciar efetivo até muito maior do que o da própria unidade para cumprir a missão, sendo que não se vê na prática a gratificação extra legalmente prevista sendo paga aos policiais, o que certamente atrairia até voluntários para atuar nos estádios, mediante o justo adicional pelo serviço especial desempenhado em seu horário de folga. Quem se arvora a discutir esses assuntos deve ter no mínimo a credencial de ter atuado em eventos críticos em praças esportivas, sou franco em manifestar que abro mão dos comentários cheios de exclamações e letras maiúsculas com emoções desvairadas de algum fanático amador. Antes de tudo é preciso ter conhecimento de causa e avaliar o caso à luz da razão, o poder disciplinar punitivo já está sendo exercido para apurar as falhas, aos demais interessa o aprendizado e evolução que o caso pode proporcionar, melhorando o trabalho da polícia e a segurança da sociedade.

3 comentários:

Na Moita disse...

A idéia de utilizar agentes químicos autorizados no caso citado é de grande relevância, mas quem nos garante que o uso do mesmo não gerará futuros processos disciplinares por pressões externas da imprensa capitalista ou dos ( Direitos Humanos dos marginais )?.
Victor, sabemos que este canal é aberto a todo tipo de comentário, e inteligentemente foi a ressalva feita por você sobre alguns comentários feitos emocionalmente, sem mesmo buscar o conteúdo completo da reportagem, deixando-se levar pelas imagens e comentários insanos da imprensa marron. Continue assim.

Anônimo disse...

Gostaria de saber se é verdade que a pm não pode usar spray de pimenta?
Esse caso parece com aquele de Brasília,onde um pm tentou de forma desastrada e despreparada controlar sozinho um grupo de torcedores,vindo a efetuar um disparo e matar o torcedor não acho heroímo nenhum um policial sozinho querer controlar horda de pessoas com uma arma na mão,está na hora de reverm os conceitos adotados pra lidar com essas situações.

Victor disse...

Na Bahia, a tropa ordinária (aquela que usa cáqui todo dia pelas ruas) não está autorizada a empregar quaisquer espargidores de agentes químicos, sob pena de ser responsabilizada na esfera civil, penal e administrativa, o que realmente acontece em alguns casos. Alguns ainda o empregam corretamente, e isso serve para solucionar diversos conflitos de uma forma bastante técnica, já outros insistem no erro de aplicá-lo descontroladamente como forma de castigo e até "traquejo" aos infratores.
Não é bem o "heroísmo" que motiva determinadas ações como a vista, mas muitas vezes um instinto desenvolvido naturalmente em atuar nas situações necessárias em que se deparar, às vezes criando-se um túnel de luz em cujo foco so se vê o problema, sem analisar os riscos à volta.

 
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