quinta-feira, 19 de março de 2009

Instrução

A carência de instrução é uma realidade entre algumas tropas que integram as fileiras da PMBA, dificultando o alcance de um patamar técnico padrão que denote mais profissionalismo.
O ex-PM Marcos Prisco, legitimado por alguns como representante através de uma associação, costuma sempre reclamar da falta de investimentos na formação e manutenção do preparo da tropa.
Há poucos dias, o Comando Geral da corporação anunciou um grande programa que objetiva realizar curso de Capacitação e Treinamento de Policiais Militares, visando treinar todo o contingente até o final de 2010; todo mesmo, 5 mil na primeira fase, outros 5 mil no segundo semestre deste ano, e 20 mil divididos pelos 2 semestres do ano que vem, o que, de antemão, já é muito bom.
A repercussão imediata em comunidade do Orkut foi de resistência à ideia por parte de alguns, os quais alegam agitadamente que a prioridade seria uma "capacitação salarial", dando a entender que é tudo "conversa fiada" e o que interessa mesmo é uma "bolsa formação".
Por vezes restrições financeiras e carências estruturais dificultam uma instrução ideal - também há de se considerar a dificuldade de alunos em fazer uma auto-crítica e reconhecer seu desinteresse, pouca participação, sono intencional e outras formas de "macete" na aula.
Por outro lado, há instrutores que realmente desagradam no seu labor, deixando de lado o conteúdo para aplicar traquejo excessivo e injustificado. Uma palestra de conteúdo excepcional pode ir por água abaixo se for seguida de uma inexplicável sessão prolongada de rastejo em asfalto quente, por exemplo, onde lamentavelmente é melhor nem perguntar o porquê da atividade, sob pena de sofrer retaliação indesejável.
De tudo, é preciso admitir que, para ser mais bem remunerado, é preciso também elevar a qualidade na prestação do serviço, o que ocorre através do estudo e treinamento. O desgaste deve ser o estritamente necessário para a absorção do ensinamento, repetição à exaustão leva à perfeição.
Do instrutor ou monitor, é necessário interesse superior ao meramente financeiro (para quem não sabe, a hora-aula não costuma ser atrativa, oficiais e praças recebem muito menos que professores civis em cursos - muitos, de fato, vão por dedicação e boa vontade); e dos alunos, espera-se o compromisso com a atividade proposta.
Encontrar desculpas é uma grande habilidade humana, basta querer enfrentar as barreiras que é possível reajustar diversas falhas. Acomodar-se a reclamar e esperar que melhorias caiam do céu não é a melhor escolha.

15 comentários:

Na Moita disse...

Em parte concordo com a maioria da tropa em uma capacitação salarial, com certeza vai estimular os mesmos a se capacitarem didáticamente, como se concentrar numa instrução para melhor servir a sociedade se ao mesmo tempo em que na aula fico preocupado com o aluguel que está a vencer, leite da criança, luz, água, etc ?.
Sejamos menos teóricos e acordem para a realidade.

Anônimo disse...

Conversa para boi dormir;
Esses Oficiais querem fazer o nome em cima dos praças;
São preguiçosos, não gostam de trabalhar, aqui no BPB, tem um capitão, que só sai de sua sala se botarem fogo ou para receber dinheiro. Fui escalado no Carnaval de Salvador e apareceram uns travestidos de PM pedindo para respondermos uns questionários imbecís, com perguntas idiotas - Está gostando da alimentação/do banheiro/da folga, são de seções da PM que não prestão para nada, lhes falei, seria melhor dar um revólver e um casetete para cada um e colocá-los na área, uma tal de maria felipa, fazendo unhas, massagens e demais besteiras. Curso de barriga vazia não vale nada. Nós não queremos cursos evasivos, monótonos, sem graça, enche linguiça. Queremos pelo menos nossa folga, já que é nela que fazem esses cursos fuleiros, e de graça.

Anônimo disse...

Concordo plenamente com o companheiro acima, pois além de não pagarem o que temos direito, aqui também no BPM, chegam 4.000,00 de diárias e 4.000,00 de transporte mensalmente, o Comandante fica com 4.000,00 e divide o restante com os demais oficiais da cozinha e quanto aos praças que tem que ser ouvidos em outras cidades na Justiça e outras oitivas, tem que pegar carona na BA-052, ganhando piadas dos motoristas. A coisa estava tão boa que o Cmt usava a viatura descaracterizada para pegar peixes e frutos do mar no sul da Bahia para vender e abastecer a cidade, com gasolina do estado, com a cota pequena 4.000,00, dividida com o Comandante, ficava 20,00 por dia de segunda-feira a quinta-feira e as sextas-feiras, sábados e domingos - 30, 00 em duas viaturas, para uma cidade de 62.000 habitantes. Outra muito boa foi o ex-comandante tenente Coronel da unidade, que aparecia nas paradas dizendo que não recebo presente de homem, pois quem o faz é "rapariga", pois bem, um dia o responsável por uma empresa que ganhou a licitação para construir/reformar as instalações do Quartel, não as concluiu e queria receber a parcela restante do empenho, o Comandante disse, não pago, não pago e o seu carro está apreendido no pátio da UOp, até que você termine o que foi contratado, o homem mostrou-nos um recibo de 5.000,00 que depositara na conta do Comandante retado e disse que iria resolver tudo em Salvador, pois teria comprado com o dinheiro uma motocicleta para o neto além de utilizar a ranger para transporta-la da Capital do Estado para uma cidade do interior. Moral da história, foi chamado por um Coronel e ouviu na frente do empreiteiro, pague os 50.000,00 restantes agora, ou você irá ser exonerado do Batalhão daqui a 5 minutos. Pagou o empenho na ora, colocou o rabo dentro das pernas, foi embora e o Batalhão ficou do jeito que se encontra até hoje, INACABADO.

Victor disse...

Na Moita, tenho que discordar da sua linha de pensamento. Recentes experiências com a bolsa formação evidenciaram, pelo menos nos ambientes onde pude sondar, que quase nenhum policial converteu 1 centavo sequer deste valioso benefício mensal em melhorias na sua formação, através da compra de livros, inscrição em cursos ou seja lá de que modo. Se você viu o contrário, passe a experiência, porque a minha constatação foi essa, com grande margem de convicção. Assim também é com o auxílio fardamento, raríssimos são os que destinam alguma fração daquele valor ao longo do ano para manterem os uniformes em boa qualidade. A verdade é que a maioria incorpora tanto a bolsa quanto o auxílio aos vencimentos como um todo, e gastam como lhes convier, inexiste controle neste sentido.
Ao primeiro Anônimo, lamento que o descontentamento tenha alcançado nível tão alto em sua carreira, e não duvido que tenha sido por más influências e decepções com outras pessoas que integram a instituição. Se não fosse perguntado ao patrulheiro como se sente no Carnaval, diriam que a tropa nunca é ouvida. Quando se tenta questionar, o resultado é essa agressividade acima declarada. Neste jogo de intolerância, falta diálogo e sobra rancor. De qualquer modo, concordo que existam oficiais e praças pouco envolvidos com sua atividade, e igualmente vejo com ressalvas certas atividades distintas ao policiamento ostensivo que são realizadas por departamentos específicos na corporação.
Ao segundo Anônimo, compartilho com a insatisfação diante do quadro que você acusa observar, sugiro que tente, de algum meio em que não "se exponha", colher provas que possam subsidiar uma denúncia para que autoridades que controlam interna ou externamente a corporação possam apurar as supostas irregularidades apontadas. Faria um grande favor à tropa e à sociedade.

Dafnis dos Santos disse...

Eu acho que só poderemos saber se esses cursos são ou não macetes para alavanca a carreiras de oficiais depois do 1º fase.
Aprendizado é tudo. tive a oportunidade de ver uma palestra de genética forense no colégio que estudo e digo que gostei muito do que aprendi e vou levar esse conhecimento pro resto da minha vida.

Anônimo disse...

Falam em salário, em curso e etc; porém nunca ouvi solicitações quanto ao transporte para a tropa quando no deslocamento de casa para o trabalho, de casa para o curso e vice-versa,principalmente para os Policiais que residem no interior e tem que deslocar-se para a Capital por meios próprios, enfrentando possíveis ações de marginais durante assaltos a ônibus, onde recentemente tivemos como vitima (baleado na perna) o companheiro Sd PM Carlos Henrique da Silva Conceição,que graças a Deus não veio a obito. Além da cobrança de passagem por parte de algumas empresas (Transportes Rodoviários e Urbano). Lembrando também da assistência médica que dispoem de limite de consulta e exames médicos para atendimento hospitalar, afinal de contas ninguém sabe o dia e a hora em que ficará doente. Não esquecendo da assistência odontológica que não existe.

Anônimo disse...

Esse espaço está cheio de frustrados que ingressaram na PM para não varrer rua e depois, ficam aqui criticando até coisas positivas como instrução. Lugar de gente recalcada é no divã, e está presenciando irregularidades? SEJA MACHO e vá ao MP denunciar, seu covarde.

Anônimo disse...

O outro criticando o serviço de carnaval. Com certeza é um macetoso safado que tem preguiça de trabalhar, prestou concurso sem ter vocação e fica aí falando merda.

Anônimo disse...

VITOR, TÁ NA HORA DE POR FREIOS AOS COMENTÁRIOS. JÁ ESTÁ DEMAIS.!!!
ASS: SD PM JUNIOR

Victor disse...

Também fico desapontado com a deselegância de alguns que se manifestam, talvez por isso vários canais de comunicação se fecham, sobretudo entre diferentes graus hierárquicos, criando um clima desagradável. Ainda não apaguei qualquer comentário no blog, mas realmente certas mensagens estão extrapolando todos os limites. Será um tanto frustrante ter que exercer censura neste espaço.

Na Moita disse...

Caro Victor, percebi que você nao entendeu meu comentário, recebemos sim o auxilio do bolsa formação, se você recebesse o que um praça ganha, qual seria a finalidade do seu auxílio?, investir em conhecimento ou melhorar as condições alimentícias de sua família?.
Caro Victor, você ainda nao caiu na realidade de um praça.
Um abraço.
Na Moita.

Victor disse...

Gestão orçamentária familiar é algo bastante particular, individual, de cada um, não há como estabelecer uma "planilha" comum a todos. Aqui no CFO observo as condições de vida de quem veio da tropa, Sd ou Sgt, dá para comparar com os que vieram de fora e recebem somente a bolsa de Aluno-a-Oficial, mesmo sendo pai de 1, 2 ou 3. Não é somente o salário quem define as condições de vida, mas toda uma combinação de quantidade de famílias, de filhos, se tem casa própria, carro, patrimônio herdado e uma série de fatores outros. Por aqui, isso não costuma ser fator determinante para o desinteresse de alguns pelos estudos, há casos e casos.

Anônimo disse...

Resposta ao 20 de Março de 2009 07:26 e 17:25.

A sua PMBA, quer dizer P=pai e M=mãe, Vossa Senhoria está com raiva porque estamos falando a verdade, esta, que não podemos dizer abertamente pois iríamos para as masmorras do Choque, com merda até o pescoço, mas, o Governo de Jaques Vagner está mandando investigar e prender, noticiando as "coisinhas" que alguns Oficiais fazem debaixo do pano. Acabando com o desperdício em horas extras/diárias/transporte/DAS/DAI, substituição de função/gasolina desviada, os secretários de Administração e Relações Institucionais (Vitório/Rui Costa) afirmaram que o salário de "todos" seria bem melhor, mas como na PMBA existe senhores feudais e servos, o que esperar...

Na Moita disse...

Caro Victor, admiro os textos abordados em seu blog, a forma imparcial, dinâmica, aberta, e limpa, mas você foi infeliz na sua última réplica dirigida ao meu comentário. certamente se suas réplicas continuarem neste nível, certamente causará insatisfação aos que lêem seu blog.

Victor disse...

Que parte da réplica causou desagrado? O que está escrito são constatações práticas, reais, é fato. Não encontrei o motivo da insatisfação.

 
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